Uma vez Guarani, sempre Flamengo

Nem sempre os bons exemplos para a história vêm do Rio de Janeiro. E Campinas, parece, adquiriu a mania de copiar tudo de ruim que há naquela cidade: tráfico, violência, bandidos que assumem o controle de bairros inteiros, por aí. A CPI do Narcotráfico mostrou, apesar das pressões de certos interesses, um pouco do tamanho da sujeira escondida nos porões desta terra.

Nossa cidade ainda está ameaçada pelo esbulho de ver um terreno que doou para fins esportivos cair nas garras gananciosas de fins puramente comerciais. Mais: num lugar histórico, que marca, com grande dignidade, como Campinas nasceu e cresceu pelas mãos de uma gente de estirpe muito mais generosa e magnânima, do que a encontrada entre os pod(e)res de hoje.

Erro de origem. Se o Guarani quisesse um terreno para fazer um centro de treinamento, que construísse às custas de seus associados e simpatizantes, sem tirar o que é de todos em benefício de alguns. Até isenção de impostos urbanos seria tolerável, desde que esse centro de treinamento também abrigasse jovens carentes das redondezas. O envolvimento político (e com políticos) é que sempre estraga tudo. Agora, o clube quer vender o que não é dele, nem que para isso arrase o patrimônio histórico de Campinas. É melhor que mude de nome, então, porque Carlos Gomes não ficará nem um pouco satisfeito com essa sanha destruidora da nossa história. Que tal “Shopping Futebol Clube”? Um negócio em cada camisa…

Se depender da decisão de vereadores a devastação do patrimônio histórico de Campinas, vamos ficar de olho para ver quem será cúmplice desse crime de lesa-Campinas e devastar um por um nas urnas.

Felizmente, no Rio de Janeiro, ainda há resistência aos vendilhões da história. A desembargadora Helena Beckor, da Oitava Câmara Cível, manteve a decisão do juiz João Marcos Fantinato, da Sétima Vara de Fazenda Pública, que confirma: o terreno foi cedido ao Flamengo para fins esportivos e não pode ser usado comercialmente. Vamos torcer para que nossos juizes, bugrinos ou pontepretanos, não importa, se unam e salvem a cidade.

Pregado no poste: “A CPI do Narcotráfico acabou?”

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