Um pulo

Como em quase toda América Latina, o resultado de uma eleição não muda nada.

Algumas historinhas comprovam esse comportamento:

Coisa de político: o vice-presidente da Comissão de Educação (!) da Assembléia Legislativa de São Paulo, Geraldo Lopes (PMDB), fez faculdade sem concluir ensino médio. É candidato à reeleição. Ele admite não ter ido às aulas (!) e diz que o intermediário lhe prometeu um certificado se ele fizesse só uma prova (!). Será reeleito, quer apostar? Assim como mensaleiros, aquele que não sabe nada, o Severino Cavalcanti, o apertador de caseiro, o que teve um caso com o táxista, a ex-prefeita que quer uma deputância (ela fala “deputância”!), a dançarina da Câmara… Isso é tão certo como é capaz de convidarem a Suzanne para sair na Palyboy. E se ela topar?

Numa dessas madrugadas, repórter de Brasília entrou no ar na Rádio Nacional para noticiar mais um incêndio na Chapada dos Veadeiros. Colheu depoimentos de:

  1. a) morador da Chapada: “Nós mesmos tocamos fogo aí. A proteção da Chapada é tão restritiva, que não nos sobra espaço nem para fazer uma horta, para a gente colher e comer as verduras e legumes. Então, incendiamos e aproveitamos o espaço queimado para alargar nossas lavouras.”
  2. b) desempregado: “Fomos nós que pusemos fogo. Aqui, o único jeito de arrumar serviço é queimando a Chapada, para o governo colocar a gente nas frentes de combate ao fogo. Daí, vêm dinheiro e cesta básica para nossas famílias.”
  3. c) fiscal: “O governo sabe que é a gente que põe fogo. Somos poucos para fiscalizar e cuidar de uma área muito grande. E o salário ainda atrasa. Como ninguém liga se a gente fizer uma greve, a forma de protestar é não tendo o que vigiar.”
  4. d) fazendeiro: “Vamos queimar porque temos de plantar pasto para o gado.”

Sabe o que acontecerá depois dessas denúncias gravíssimas? Nada, porque dizia o anarquista russo Mikhail Bakunin: “Assim, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.” Viveu de 1814 a 1876: nada mudou.

Pregado no poste: “Da guerrilha à quadrilha, um pulo”

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