Quando crescer

Quando perguntavam “o que você vai ser quando crescer?”, só vinham à lembrança os cursos das faculdades do monsenhor Salim: “adevogado”, dentista, professor de história, matemática, geografia, neo-latinas, anglo-germânicas, bibliotecária, assistente social, economista, teólogo, filósofo…

A Unicamp é que apareceu com umas loucuras que ninguém entendia: analista de sistema, físico-nuclear, cientista da computação, mecatrônico, engenheiro eletrônico (para ele trabalhar, tinha de apertar um botão?).

Imagine que tinha um japonês louco lá que jogava xadrez com o computador. (Isso era 1960 e guaraná de rolha. Hoje, computador joga até futebol!). Queria ver aquele japonês jogar palitinho com a jeringonça. Ou a jeringonça jogar palitinho com seo Felício, Cadão e Jamelão no bar do Kana Higa, ali perto do Centro de Saúde. Dava ‘cinco mão’ de lambuja e ganhava.

(Jogo de palitinho era tão concorrido que o mestre Zaiman de Britto Franco transmitia pela Rádio Brasil.)

Hoje, no Brasil, muito diploma de faculdade só serve para garantir cela especial. Algumas profissões nem servem mais. Se você encontrar um ascensorista, apresente ao seu filho, porque até ele sair da faculdade, não haverá mais quem o leve nos elevadores da vida. Caixa de banco já trabalha de orientador de caixa eletrônico. Cobrador de ônibus é trocado por catraca automática, e aquele caminhão de gás que canta “Pobre Elisa” vai sair se gás de rua chegar. O fax e o e-mail acabam com guardinhas e carteiros. Ainda existem soldador de panela, sapateiro, colocador de ferraduras, e amolador de faca, vendedor de biju, consertador de guarda-chuva, relojoeiro daqueles que trocam celulóide, motorneiro de bonde, mecânico de máquina de escrever, apitador de estação de trem, taifeiro…

Agora, um tal de ‘Bureau of Labor Statistics’, que acompanha a evolução de profissões e carreiras, diz que as mais promissoras para os próximos dez anos são engenheiro ambiental, analista de sistemas e informações, conselheiro de finanças pessoais, administrador de bancos de dados, engenheiro de software, engenheiro biomédico, relações públicas e administrador de infossistema. Se eu dissesse ao monsenhor Salim que queria ser ‘administrador de infossistema’, ele me mandava para um retiro espiritual no convento as carmelitas.

Pregado no poste: “Vendidos?”

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