“Tupamaros!”

Este “bate-papo” pode virar “bate-boca”. Seja o que Deus quiser. Bugrinos planejam patrioticamente tecer uma bandeirona tão grande que pode servir de cobertura para o “tobogã” em dia de sol ou proteger o gramado em dias de chuva. Louvável gana, há muito não vista pelos lados do Brinco de Ouro – é que a torcida cresceu tanto que já não cabe na Romi Isetta do Carlitão nem na garupa da Lambretta do Nico, do “Pão de Ouro”. Mas na Kombi do Cadão Cecconi, ainda há vagas.

Antes dessa, de 134 metros de largura e 37 de altura, o Bugre já teve outra, branca com o “distintivo” verde.  A escolha do branco é sinal de paz? Boa idéia. “Este bandeirão será da nação bugrina e não de uma torcida organizada; avisa Marcos Neves, um dos idealizadores.

É aí que o índio torce a tanga. O jornalista Renato Otranto, reencarnação de um dos fundadores do Guarani, espera com viva fé e ardente piedade, que o futuro pavilhão alvi-esmeraldino não sirva para esconder sob seu manto gangs armadas em brigas protegidas dos olhos da polícia – da polícia que ainda tem olhos de ver e de verde. Entrar com a obra de 354 quilos nos estádios exigirá ritual de pelo menos duas horas, para atender às exigências da PM: desenrolar, estender no chão e provar que nada está escondido nela; enrolar, entrar e abrir na arquibancada.

Os bugrinos já desfraldaram uma grande bandeira lá pelos fins anos 60s, a “verdona”, mais apropriada, porque tinha a cor predominante do clube, de branco sobre verde, jamais de verde sobre branco – só no segundo uniforme, mas esse já foi ultrajado de rubi, fazer o quê? Aquela verdona era aberta por uma das primeiras torcidas, a civil e organizada “Guerreiros da Tribo”, do cacique Tadeu Datovo.

Numa noite daqueles anos de ditadura, rasgaram a bandeira em Piracicaba. Mário Pontes Melillo, inesquecível narrador da Rádio Cultura, bugrino desde feto, esbravejava ao microfone, no velho estádio da Noiva da Colina: “Tupamaros! Tupamaros! Terroristas rasgaram a verdona! Aqui, a polícia mata terroristas, mas não tem coragem de prender esses daí!” Está certo que tuapamaros eram terroristas uruguaios…

Para o Renato, fica melhor se cada torcedor levar uma bandeirinha, para não provocar nem ser provocado. Mas ele se lembra de que certa vez, a torcida da Ponte teve essa idéia e cada um levou a sua para um prélio contra o Bragantino. Lá na “Linguiceira”, obrigaram nosso locutor Fanor Pereira Neto a transmitir o jogo inteirinho com uma bandeirinha do Bragantino na mão.

Será que ainda será possível ver o Luciano do Valle narrar um jogo do Bugre empunhando uma banderinha verde e branca?

Pregado no poste: “Cuidado! O ovo ainda não está no reto final da galinha!”

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