Trompete

A vida de Sílvio Bertolini é uma melodia dedicada a Campinas. Não o conheço; fomos apresentados pelo Marcos Machado, da “Feira da Borracha”, que me surpreendeu pela Internet: “Quero seu endereço para mandar uma pérola de Campinas.”. Pensei: “Deve ser mais uma sujeira de político…” Mas desta vez, o que chegou é uma obra de arte, que poderia estar nas joalherias: “Tributo a Campinas”, CD do trompetista Silvião.

Toca e canta com a alma, o carinho e o respeito aos ouvintes. É para ser ouvido na sala de visita, no quarto, na hora do banho, num churrasco, no carro, ou no piquenique, todos acompanhando a voz rouca desse artista que consagra a música desde os anos 50, quando estava na famosa Orquestra Icaraí, do Julinho Bocalete e J. Verginelli. Tempos do Clube Semanal de Cultura Artística, na Barão de Jaguara, aí perto do Café do Povo, embaixo do incendiado solar do Visconde de Indaiatuba.

São 16 belezas, quase todas com música e letra do Silvião. Na primeira, ele se desmancha: “Lutei e consegui / Sou campineiro / Cidadão sou desta terra / Campinas, bela, igual não vi…” E canta o monumento do maestro, os bondes, as repúblicas onde morou, o progresso. Outra faixa é para o amigo Luiz Bertão, ao neto Maurício, a Miguel Fabrini. A “Banda de Lira Serra Negra (Tutti Oriundi)” é uma delícia, misturando versos em português e italiano, do jeito que só quem gosta de boa música sente na alma. Não falta homenagem à cidade de Pedreira, ao sanfoneiro Cirilo, o romântico; às bailarinas e ao túnel do tempo, aquele que “não é túnel, mas cabaré.” (Bela comparação!)

Estou escrevendo e ouvindo. Como diz nosso Sylvino de Godoy Neto na capa do CD, entre fotos do bonde do Taquaral, da estátua do Carlos Gomes, da Catedral, da Caravela e do próprio Silvião a tocar seu trompete: “… a música deste homem é bela porque simples; e rica por ser generosa. Com sorte, você poderá vê-lo e ouvi-lo em alguma esquina da cidade, ora fazendo serenata, ora tocando para os pássaros de alguma praça ou para os peixes de alguma lagoa.”. Bonito.

Pregado no poste: “A Ponte parece o Guarani”

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