Tragédia municipal

Mas o então prefeito Mendonça de Barros decidiu celebrar o jubileu de prata do nosso demolido Teatro Municipal “Carlos Gomes”. O anúncio aos campineiros, publicado na imprensa em 1955, traz na última linha um apelo tão necessário hoje: “Plante uma árvore frutífera em seu quintal – campanha educativa do D.E.D.C.”. Era o “Departamento de Ensino e Difusão Cultural”, antecessor da Secretaria de Educação, creio que então comandado pelo saudoso jornalista Bráulio Mendes Nogueira. Patrocínio da Cerveja Cristal, do Guaraná Cristal Colúmbia e da cerveja Mossoró, também a primeira marca patrocinadora de um carro da história da Fórmula Um, a baratinha do Chico Landi. “Mossoró? Preta, boa e gostosa!”

Com o aniversário do Teatro “Carlos Gomes” aconteceu o Primeiro Festival Brasileiro de Artes Cênicas (alguém sabe onde foi o segundo?). Vieram a Companhia de Sandro Poloni e Maria Della Costa, o Ballet do Museu de Arte de São Paulo (balé do museu?), a Companhia de Comédias Jayme Costa, Companhia Dulcina – Odilon de Azevedo e a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo.

A propaganda do evento me chegou pelo blog do João Marcos Fantinatti e ele desdobra tudo, tintim por tintim, com os anúncios das lojas que ajudaram a realizar a festa. É triste lembrar que o teatro não comemorou jubileu de ouro. Foi ao chão vinte anos antes.

(As três maiores vergonhas da história de Campinas: demolição daquele teatro, e os assassínios do Alecrim, no Largo da Catedral, e do seo Toninho. Em 1971, Orestes queria demolir o Mercadão do Pachola, imagine!)

A relação das casas comerciais é assunto para outra conversa, porque… Veja que coincidência:

Incrível, fuçando alfarrábios de família, encontrei um “caderno de autógrafos” que pertenceu à Zezé de 32, furiosa matadora de canalhas getulistas, junto com Monsenhor Luís de Abreu, na Revolução Constitucionalista. Campineira fanática, como Roberto Godoy e Carlos Gomes, ela participou de todos os eventos daquela festa do teatro. E os artistas deixaram seus nomes naquele caderno, que trazia mensagens de Ibrahim Nobre, César Ladeira, Armando de Salles Oliveira e outros heróis de 32. Estão lá os registros da passagem de Bibi e Procópio Ferreira, Tônia Carrero, Dulcina, Jayme Costa, Sandro e Della Costa, Eva Tudor…

Onde Campinas, terra de Carlos Gomes, poderia fazer hoje um festival brasileiro de artes cênicas, sem passar pela vergonha de ouvir justas críticas de autores, atores e cenógrafos daqui e de fora? Aquele teatro era referência nacional, hoje, Campinas nem é citada.

(Com a derrubada do teatro, o prédio da loja Sears ficou mais visível, na Costa Aguiar. A cidade lamenta a morte do teatro, mas para a da Sears, ninguém dá bola.)

Pregado na cruz: “Campinas”

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