Distinta freguesia

Atendendo a distintos cavalheiros e prendadas donas de casa de antanho, aqui vão lembranças do nosso trepidante comércio de meados do século passado, trazidas pelo João Marcos Fantinatti. Todos, distintos e prendadas, certamente, compraram cafés Bourbon e São Joaquim, nas Lojas Americanas, quando ela só tinha entrada e saída pela Treze de Maio, 573. Tintas em geral, (para pintores nacionais e estrangeiros!), compravam na Casa Campineira, do seo Albano Lopes, ali na Lusitana, 1163, fone 9-1661.

Sabe o que é popeline? “Tecido lustroso, de algodão, para vestes femininas e camisas de homem”, diz o Aurélio. Tira até um exemplo de Aluísio Azevedo: “No dia da festa dos Remédios, não há homem que não gaste seu bocado nos leilões nem há mulher, senhora ou moça-dama que não arrote grandeza, pelo menos seu vestidinho novo de popelina.” (porcas!). Tinha na centenária Casas Pernambucanas, uma na Treze, esquina da Ernesto Kuhlmann, e outra no Largo do Mercado.

Você iria a um dentista que comprou seus ferros no “Ao Boticão Universal”? Devia doer pra burro, mas anunciava filiais em Curitiba, Santos, Bauru, aqui em Ribeirão e, em Campinas, na Lusitana 1.229. Ainda existe a Casa Moysés? Era ali, na Barão de Jaguara, com móveis, tapeçaria e decorações, pertinho do Bar Estudante, do seo Camilo Soares. Concorrente da Mysés era a Mobiliadora Campineira, na Treze, 297. A Casa Koper também vendia popeline, na Treze, nº 427. Cortou os cabelos ou fez a barba no Salão Rio? Ele prometia Higiene, Perfeição, Distinção, na Barão, 1.285.

Continuamos o passeio ou já se cansou? Na Campos Salles, 946, esquina da Glicério, o Banco Hipotecário Lar Brasileiro. Na verdade, era americano e seu verdadeiro ‘lar’, Nova York, com o nome Chase Manhatan Bank, da família Rockefeller. Sobre ele ergueu-se o edifício Anhumas (ou o Atibaia?). A Livraria Universal ficava (ainda está lá?) na Glicério, 1.085. Está com fome? Para suas festas e refeições diárias, Restaurante Bosque dos Jequitibás, do José Torquato, pai do meu imenso e admirado amigo Vicentão Torquato (quem não o conhece?). Volte Vicentão!

Esta nossa conversa homenageia alguns empresários que ajudaram a fazer o “Primeiro Festival Brasileiro de Artes Cênicas”, em Campinas, em 1955, no Teatro Municipal. Qualquer dia tem mais, foram muitos!

Pregado no poste: “A iniciativa particular faz, o Poder Público desfaz”

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