Tortura financeira

Está certo que Campinas virou a sucursal do inferno, depois da passagem da Rainha das Hunas, a flagela das trevas, e seus irados sobre nós. Mas existe sofrimento parecido com esse de sobreviver aqui.

Não é fácil. Nesta terra, de janeiro a março, mataram, de propósito, 71 pessoas; perpetraram 4.400 furtos; cometeram uns 2.300 roubos e tiraram dos donos, na marra ou na maciota, mais de 2.500 veículos. Tudo isso sem falar no que a polícia nem ficou sabendo, já que ela só resolveu 2,7% dos homicídios. Ou seja, os criminosos responsáveis por 97,3% dos assassinatos estão por ai, lindos, leves, soltos. E o povo, feio, pesado e preso, condenado a viver no estrago que herdou sem votar.

Pensa que o sofrimento também é cortar cana? Quebrar pedra? Passear pela Treze de Maio? Pagar passeio de edil a Cuba? Agüentar secretário (da Cultura!) que adora e homenageia o genocida Stalin (Freud explica?)? Ouvir só compositores estrangeiros na Semana de Carlos Gomes? Ver um concurso público que não aprova ninguém porque reprovada foi a Prefeitura? Morrer na próxima enchente? Pagar imposto para a Prefeitura pagar cachês absurdos para “artistas de curriola”?  Ou passar por um Centro de Convivência que virou centro de conivência? (Só agora os vândalos resolveram agir? Engana que nóis gosta.)

Vamos parar por aqui, certos de que a história não se repete – ou se repetirá como farsa, para ficar no chavão da “tchurma”.

Duro, mesmo, é trabalhar uma corretora de valores. Vi o projeto de montagem de uma delas, trabalho do Frederico Fontes Balbo, uma das feras da FGV, e fiquei cansado só de ler as atribuições de quem cuida de uma repartição da dita, chamada “Departamento de Margem”. Veja o que eles têm de fazer:

“Monitora a atividade da conta de cada cliente, quanto à exatidão e à adequação de margens; fornece aos executivos de contas os dados financeiros necessários e esclarece dúvidas acerca da margem excedente; processa a movimentação de recursos nas contas dos clientes; estabelece por conta própria, com o Departamento de Crédito ou com a alta gerência, os níveis de margem da corretora, caso excedam os níveis mínimos estabelecidos por uma bolsa; prepara solicitações de margem e cheques ou saca cheques para remessa ao cliente; prepara tabelas de margens e corretagens para suas filiais; garante a cobrança de chamadas de margens para as posições em aberto; atua na execução ou recomendação de liquidação compulsória de posições a futuro de clientes cujo saldo de margem esteja devedor além de um período aceitável; mantém a alta gerência informada sobre contas de margem muito negativas e garante a conformidade com os limites de posição ou de créditos estabelecidos pelo Departamento de Crédito para o cliente. Embora o Departamento de Margem de uma corretora não execute necessariamente todas estas funções, elas são essenciais para a intermediação eficiente. Esse departamento, portanto, é parte essencial de qualquer organização. Se seu trabalho não for conduzido com agilidade e precisão, a corretora poderá incorrer em prejuízos substanciais e imediatos. Para confirmar ou manter o cliente informado das transações em sua conta, o Departamento de Margem ou de Liquidação prepara e envia a ele a seguinte documentação: extrato de confirmação de compra ou venda a futuro, e de transferência ou depósito de dinheiro em sua conta corrente; demonstrativo de compra ou venda, com o resultado financeiro de uma transação a futuro finalizada; extrato mensal com resumo das atividades realizadas e uma lista das posições em aberto ao final do mês (ou outra data de encerramento), com os lucros e perdas correspondentes.”

São uns heróis. Juro por Deus, não entendi nada. Se eu trabalhar ali, peço aposentadoria em cinco minutos de serviço. Por invalidez.

Pregado no poste: “Guardar debaixo do colchão não é a mesma coisa?”

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