Tivemos mães. Ainda bem!

Para quem teve professoras – uma que seja – o ditado “mãe é uma só” não serve. Embora a minha e a de muitos leitores do nosso “Correio Popular” já tenham partido, prefiro celebrar esta data com alegria e brincadeiras. Por mais dura que seja uma vida, quem teve professoras sempre terá lembranças alegres, de bem viver. Depois que recebi de um grupo de ex-alunos do Colégio “Culto à Ciência” novo método para se aprender literatura, a primeira reação foi: “Xi! Mestra Quinita vai matar nóis!” Só ela? Imaginei um pelotão da melhor estirpe apontando para a gente um pilha de livros, da melhor literatura, e a ordem: “Os Lusíadas, na ponta da língua, amanhã, sem falta!”.

Ah! Eu daria minha vida para começar de novo e ter aquele pelotão, não nos ameaçando (que nunca fizeram isso), mas como sempre nos ensinando: Zilda Rubinski, Ellen, Maria José Biagio, Maria de Lourdes Ramos, Quinita Ribeiro Sampaio, Maria Estela, Wilma César da Silveira… Um beijo neste dia, queridas!

Mas podem se deliciar com este método, chamado “para quem gosta de literatura e não quer perder tempo”:

  1. Marcel Proust — À la recherche du temps perdu. (Em Busca do Tempo Perdido). Paris, Editora Gallimard. 1922.1600 páginas.

Resumo: rapaz asmático tem insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite.  No dia seguinte (pág. 486. vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1.344, vol.VI) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos – e pronto. Fim.

  1. Leon Tolstoi — Guerra e Paz. Paris, Editora Chartreuse. 1.200 páginas.

Resumo: rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro. Fim.

  1. Luís de Camões — Os Lusíadas. Mil e trocentas páginas. Editora Lusitânia.

Resumo: poeta com insônia decide encher a paciência do rei e conta a ele uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super-gente-fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres bonitas. Fim.

  1. Gustave Flaubert — Madame Bovary. 778 páginas.

Resumo: dona-de-casa trai o marido e transa com o padeiro, leiteiro, carteiro, homem do boteco, dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois, entra em depressão, envenena-se e morre. Fim.

  1. William Shakespeare — Romeo and Juliet. Londres, Oxford Press.

Resumo: dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro. As duas turmas saem na porrada, uma briga danada, muita gente se machuca. Então, um padre tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que fosse sonífero. Fim.

  1. William Shakespeare — Hamlet. Londres, Oxford Press.

Resumo: príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre, assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado. Fim.

  1. Sófocles — Édipo-Rei. Tragédia grega. Várias edições.

Resumo — maluco tira uma onda, não ouve o que um cego lhe diz e acaba matando o pai, transando com a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos da cara em cada consulta. E surge a TV Globo, que joga Vera Fischer, Felipe Camargo e Perry Salles nesse samba do crioulo doido. Fim.

  1. Os Sertões – Euclides da Cunha. Tragédia brasileira. Zilhões de páginas.

Resumo: Um repórter do ‘Estadãogrita “Viva a República!” numa cerimônia militar no tempo da monarquia e foge. Abriga-se na casa do dono do jornal. Quando estoura a revolta de Canudos, vai para o sertão da Bahia ver o exército brancaleone da república defender o regime contra o maluco messiânico Antônio Conselheiro, que quer a volta do Império. Manda uma série de reportagens e escreve o livro, que se resume a uma frase célebre: “O caboclo brasileiro é, antes de tudo, um forte.”. Não precisava dizer mais nada.

  1. As Certinhas – Estanislaw Ponte Preta. Alegoria brasileira. Páginas só com fotografias.

Resumo – Em contraponto a “Os Sertões”, o melhor cronista da literatura nacional (não era ponte-pretano) exibe coleção de mulheres mais bonitas do mundo, todas brasileiras. Para ver e guardar – na estante e na memória.

Sente-se mais culto(a) agora? Você economizou a leitura de pelo menos dez mil páginas!

Pregado no poste: “Expectativa do comércio para o Dia das Mães ou expectativa das mães para outro Dia do Comércio?”

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