Roberto

Roberto Carlos entrou no palco do Cine Carlos Gomes. Quando a gritaria terminou, ele se abaixou, naquele gesto de quando pegava uma rosa no chão do palco do Teatro Record, e disse: “É uma pulga, mora!”. Tem uns quarenta anos.

Começava a carreira do mais admirado cantor – talvez artista – da história do Brasil. Ele, Pelé, Senna, Chico… A quadra das (quase) unanimidades nacionais. Nunca deixei de admirá-lo, jamais consegui gostar do que ele canta. Que culpa tenho eu? Paro o sintonizador do rádio para ouvir Jair, Nelsão, Petrônio, Jorge Veiga, Dick, Orlando Silva, Gilberto Alves, Ataulfo, Galhardo, Adoniran, Chico, Caetano, Noite Ilustrada, MPB 4, Nilo Amaro, Simonal, Erasmo, Demônios, Cauby, Altemar, Gal, Nara, Clara, Bethânia, Maria Rita, Rita, Celly, Simone, Dalva, Elisete, Ângela… Elis. A Elis, se parar, também choro. Mas nada me faz parar para ouvir o Roberto. Até cantarolo algumas com ele, mas não empolga, não emociona nem motiva. Passa.

Nunca desmereci o Roberto. Ele sempre demonstrou carinho por Campinas e por todo mundo. Seu barbeiro dos tempos da Jovem Guarda é daqui, o Colemar. Roberto jamais se esquece dos que o ajudaram no início da carreira. Há dois ou três anos, no ginásio da Cava do Bosque, aqui em Ribeirão Preto, quando entrou na quadra para cantar, soube da presença do grande radialista ribeirão-pretano Luís Aguiar na platéia. Pediu que o iluminador do show jogasse o facho de luz sobre o Luís e disse: “Esse moço, eu não vejo há muito tempo. Devo muito a ele. Esse é meu amigo! Felicidade, Luís Aguiar! Muito obrigado!”

Mas sábado passado, sem querer, mexi no vespeiro da unanimidade e do inconsciente coletivo nacional. Brinquei e preguei no poste que ele está cada vez mais parecido com a Gretchen. Pra quê!  A mensagem mais educada (e publicável) veio da Beth Fernandes:

“…mas sábado, você ‘pecou’, escrevendo que o Roberto Carlos está com a cara da Gretchen. Tudo bem que você não goste dele, que não goste das músicas que ele canta, até da pra entender, mas escrever isso acho uma grande falta de respeito a essa pessoa que já tem mais de sessenta anos e já fez muita gente feliz com suas musicas. (É) falta de respeito, por ser ele uma pessoa honesta (coisa rara hoje em dia), íntegra em tudo que faz. Desculpe-me pela minha sinceridade, mas a decepção foi muito grande. Um grande abraço Elizabeth.”

Respondi…

“Desculpe-me. Fã é fã e eu respeito. Nunca achei o Roberto um ‘artista menor’; gosto dele, mas não do que ele canta. Não me lembro, jamais, de tê-lo criticado. Só que nunca ‘parei’ de rolar o dial do rádio, porque quem canta é o Roberto. Mas que ele está a cara da Gretchen, está. E achar ruim com isso é desmerecer a Gretchen (que também nunca me disse nada). As fãs dela poderão achar ruim com você, assim como você achou ruim comigo. Tem nada. Vou me redimir. Semana passada, uma amiga foi a um show dele em São Paulo. Ela tem só 18 anos e diz que chorou em todas as músicas e jura que eu choraria também. Ai já é demais. Artista para me fazer chorar só da Elis pra cima, e acima dela não haverá ninguém.”

Pregado no poste: “A Gretchen está cada vez mais parecida com o Roberto Carlos. Pronto!”.

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