Supermercado de antanho

Ah, mas a dona Adélia Salles achou uma preciosidade no interiorzão do Rio Grande do Sul, lá pra perto das bandas da nossa co-irmã Pelotas. Um folheto de propaganda do “Armazém Juca Tigre”, ancestral desses encartes coloridos dos grandes magazines que hoje recheiam os jornais. Um peça literária deliciosa, com a lista de “artigos” vendidos “a preços correntes para o mez de Maio de 1936”. Imagine como devia ser esse armazém, que vendia uma mistura de tudo o que era necessário para uma casa – “mercadorias” que nem se usam mais. As peças esmaltadas eram a grande novidade do comércio, higiênicas, mais fácil de lavar, mais bonitas. Depois da Segunda Guerra, o plástico derrotou o esmalte.

Dê uma olha na lista: pacote de banha; bacia esmaltada; bacia para pratos; creolina em vidro; carvão em lata; espírito (!!!) em garrafa (O que será isso? Pinga?); lenha; pratos de granito; soda cáustica; viandas (marmitas) em folha, alumínio e esmalte; marmello e maçã seca; feijão em cores; sapatos de ‘pineu’; gaiolas e alçapão; balde, panela e canecas esmaltadas; orinoes esmaltados (Não seriam ‘urinóis’?); bulis (ou bules?) esmaltados; fogareiro Primus; lavatórios e paneleiros.

Veja que naquele tempo já havia paneleiros em Pelotas… (Para bom campineiro, sem comentários.)

Agora, preste atenção nos versos em que o Juca Tigre anunciava seu “estabelecimento”:

“O inverno está chegando, precisamos nos prevenir; botemos bóia na dispença, para podermos resistir/ É um problema muito fácil, para todos resolver/ Venham à Casa Juca Tigre, que encontrarão o que comer/ Um sortimento colossal, a preços de assombrar/ O Juca Tigre é conhecido, aqui e em todo lugar/ O que eu digo nestes versos, eu posso justificar/ Visitem a minha casa, que poderão verificar/ Quando eu deixar o ramo, um sentimento vão levar/ De não encontrar trovador, para comigo cantar/ O mesmo quero dizer, nesta vida de balcão/ Trinta annos que trabalho, sem achar competição/ O café Tigre e o Glória, não precisa recomendar/ São productos garantidos, que não encontram rival”.

Pregado no poste: “Padre Caran, o ‘bispo’ Macedo pode plantar um alecrim no Largo da Catedral?”

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