A garota e o hino

Dizem os entendidos, como o Edmilson Siqueira e o Ruy Castro, que ‘Garota de Ipanema’ tem mais de 400 gravações. É das músicas brasileiras mais tocadas aqui e lá fora… acho que mais lá fora. Tim Maia dizia que todo mundo gravou, só dom Helder Câmara e o ex-delegado Romeu Tuma, que não. Fazem companhia a essa garota, “Aquarela do Brasil”, do Ary Barroso, e, do Zequinha de Abreu, “Tico-Tico no fubá”, que eu já ouvi gringo cantando uma coisa parecida com “Taico-taico no fúba” – é de rachar de rir.

Agora, pelos quarenta anos da garota (garota de quarenta anos?), o mesmo Ruy Castro anuncia que a letra era outra, também feita pelo Vinícius, para a melodia do Tom. Imagine e tente cantarolar esses versos na melodia da garota: “Vinha cansado de tudo/ De tantos caminhos/ Tão sem poesia/ Tão sem passarinhos/ Com medo da vida/ Com medo de amar/ Quando na tarde vazia/ Tão linda no espaço/ Eu vi a menina/ Que vinha num passo/ Cheio de balanço/ Caminho do mar”. O título era “Menina que passa”. Tentando melhorar essa letra, os dois se sentaram no bar Veloso e, graças a Deus, a Heloísa Eneida passou.

O Hino Nacional também tem versões diferentes. Uma delas é tão antiga quanto ele. Deve ter entrado na música que o Francisco Manuel da Silva escreveu em 1889, substituída pela letra do Osório Duque Estrada, em 1922: “Laranja da China/ Laranja da China/ Laranja da China/ Abacate, limão doce, tangerina…/” Lembra?

Outra, mais sutil, é do Noel Rosa e fez sucesso no Carnaval de 1930. É só cantar a letra na melodia do hino: “Agora eu vou mudar minha conduta/ Eu vou pra luta/ Pois eu quero me aprumar/ Vou tratar você com força bruta/ Pra poder me reabilitar/ Pois esta vida não está sopa/ E eu pergunto: com que roupa?…”

E os americanos já fizeram a versão deles para o hino da gente: “The placed shores of the Ypiranga heard/ The resoundingcry of a heroic people/ And the sun of liberty in flugent rays/ Now shined in the heavens of our country.” É de um tal de Harry Bramsby, devidamente aprovada pela Marinha. Não sei se o George Bushinho já aprovou.

Pregado: “Calma, que o Brasil já é deles”

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