Sexo escrito

Tempos atrás, sanitaristas do Ministério da Saúde passaram apertado no Nordeste, para esclarecer a população das cidades mais distantes, aquelas do sertão velho de guerra, sobre os perigos da Aids. Cartilha não adianta, porque poucos, às vezes ninguém, sabem ler. O jeito é gastar saliva (no bom sentido). Mas quem consegue explicar que usar camisinha não quer dizer usar camisa, camiseta ou camisola? “Anal? Então, só uma vez por ano é perigoso, doutor?” Não é invenção. Aconteceu e foi em meados de 1997, se bem me lembro.

Agora, coisas parecidas acontecem, mas no interiorzão de São Paulo. Você conhece Borá? Nem eu. Mas é um paraíso encontrado perto da cidade de Araçatuba, que há anos e anos luta para se manter, com galhardia, no topo da lista de menor município do Brasil e de menor população do Estado de São Paulo. E com que orgulho eles exibem essa significativa marca! Entra censo, sai censo, a expectativa é grande, mas o IBGE sempre anuncia: “Borá ganhou de novo!”

Ali, vivem felizes e prazerosos 795 habitantes. Todos se conhecem. E como! Semana passada, Borá foi notícia de novo. O mesmo IBGE, que descobriu que mora gente lá, informou que é a cidade brasileira com o maior número de mulheres até 19 anos e que já têm pelo menos um filho. Ser mãe é padecer no paraíso, mas naquele paraíso, ser mãe é ser adolescente. Pai, também.

Borá tem jeitinho de zona rural, e sua gente não troca aquela vida por nada. (Que aquela santa que mora aqui em casa não nos ouça, mas eu, mesmo não sendo adolescente, ainda vou morar lá…). Não existe ninguém na cadeia – três `causos` por mês, quase sempre briga de marido e mulher e excesso de copos. Os homens do IBGE contaram que 25% das jovens com menos de 19 anos têm um filho, pelo menos. Yeda, de 18 anos, já tem dois. O primeiro chegou quando ela estava com 13.

Já imaginou a farra que deve ser essa terra bonita? Afinal, lá ninguém está preocupado com a situação. Nem o prefeito, o seo Nelson Teixeira. Ele tem uma explicação: “Aqui, pouca gente vê televisão; há muitos jovens; todo mundo é parceiro (epa!) e a convivência provoca esses escorregões…”

Gozado. Em Borá, eles chamam de `escorregão`. Essa, garanto, nem Caco e Magda Antibes, inventores do `canguru perneta`, conhecem. Quer saber? Acho que nem Kama Sutra. Aliás, pelo jeito, até essa cartilha Borá dispensa. Quem consegue escorregando não precisa de mais nada, ora bolas!

Pregado no poste: “No Brasil, confundem atrás com atriz e isso é atroz!”

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