Confiar como?

Tão desconfiado, um amigo me confiou esta sua desconfiança: “Vou perguntar ao padre Geraldo se desconfiança é pecado.”. O saudoso ‘Geraldão’ da Matriz Velha fez um sermão de 40 minutos na missa das dez para dizer que sim. Meu amigo ainda desconfia: passa horas num banco do Largo do Rosário, dando milho aos pombos e matutando.

Você confia em caixa automático? Foi em Campinas: uma amiga entrou no recinto desses caixas sábado passado, que tem até vidro fumê para proteger quem entra da visão de quem está lá fora. Encontrou o lugar fedendo a xixi, sujo, e cheio de mendigos que começaram a lhe implorar dinheiro. O mais ousado insistiu que queria o celular: “Eu não posso viver sem celular; a senhora acredita que roubaram meu celular? Me dá seu celular…”. Conseguiu escapar sem ser agredida, ameaçada ou perseguida.  Segunda feira, ela foi à agência reclamar. Atenção! Ela ouviu da gerente: “Infelizmente, é assim mesmo. Não temos segurança da noite de sexta até a manhã de segunda, para economizar…” Pergunto eu: será que por isso se multiplicam invasões em agências nos fins de semana? Sei, não, mas os bandidos já sabem. Desconfiada, ela concluiu: “Eles (os bancos, além dos bandidos) estão cada vez mais ricos e eu, cada vez mais pobre.”. E arrematou: “Quanto mais digo ‘Meu Deus!’, mais me sinto fora de época!”.

Época da velha infância, quando a lata com cera Parquetina pesava um quilo certo e o saco com cinco quilos de açúcar União tinha cinco quilos…

Dizem que mineiro desconfiado é pleonasmo. De fato, um de seus manifestos diz que ser mineiro é fazer queijos e construir bancos. Um deles, no começo do século passado, fazendeirão das antigas, lá pra dentro de Caldas, desconfiou que, ao morrer, a família o sepultaria na fazenda, que um dia seria vendida e ele, esquecido lá, a sete palmos de fundura. Procurou o padre na cidade e deu a ele 30 patacas: “São para os que me trouxerem pelas alças do caixão até aqui. Quero ter certeza de que o senhor vai me sepultar na sua igreja.”.

Essa saiu até no Jornal Nacional: numa cidadezinha mineira, os bandidos assaltaram todo mundo, trancaram a polícia na cadeia e fugiram para uma fazenda. Na casa grande, obrigaram a mulher do dono fazer comida para eles. Morrendo de medo e desconfiada, ela foi fritar o ovo que um pediu, mas achou melhor perguntar antes: “O senhor prefere duro ou mole?”.

Até hoje, o bandido desconfia da intenção daquela pergunta…

Pregado no poste: “Por que mineiro quer mar, se não pisa no molhado?”

 

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