Senhores passageiros…

Bela iniciativa essa de salvar as estações de trem para a cidade, seo Toninho. Comovente. Não estou brincando. Parabéns. Notícia boa atrai notícia boa: a gloriosa Acic entrou na história e vai recuperar o relógio.
Quando a Catedral ficava na frente do Alecrim de Campinas e os dois eram um marco da cidade, a sirene do Correio Popular e o relógio da estação dividiam com o da Matriz a regência do tempo da cidade. Se você não se lembra, pergunte ao seo pai. Ou avô. Para saber a hora certa, bastava ligar para 34.38, o número da estação. Quem morava perto da linha, da Paulista ou da Mogiana, nem precisava de relógio. Dava para saber pelo apito; sem exagero. A cidade era menor, menos prédios, menos barulho – num raio de dois quilômetros, à noite, se ouviam as badaladas que vinham da Catedral e os apitos disparados pelos maquinistas. Sem brincadeira: a Litorina que partia às 06h28 da manhã para São Paulo era ouvida no cadeião da Andrade de Neves.
Por falar em Litorina, seo Toninho, que tal colocar nos trilhos que restam vagões e locomotivas que fizeram a nossa história, como o carro-restaurante do Trem de Luxo (funcionando, com prataria, porcelana e garçons a rigor); um vagão do Flecha de Prata da Mogiana, que ia para Brasília; um carro Pulman, com jornais, livros e revistas e serviço de café; uma Maria-fumaça… Procure o Laerte Zago, um apaixonado por ferrovias. Ele fará desse pequeno projeto de resgate uma preciosidade. Não se esqueça, caro prefeito, de restaurar as bilheterias e recolocar aquela plaqueta com o aviso que nos orgulhava tanto: “Trens para o Interior”… Nossa! Estou vendo renascer ali um tremendo centro cultural, com espaço para música, pintura, leitura… Os funcionários recebendo os visitantes em garbosos uniformes de ferroviários – e com que orgulho eles ostentavam aquela roupa! Um “Bonde 5” levando gente até lá… Estarei sonhando alto, prefeito?
Aproveite que o senhor nos livrou dessas tralhas de Ferroban e Rede Ferroviária e ressuscite o Largo da Estação. (A repórter Renata Freitas, que escreveu a reportagem sobre a volta do relógio, chegou há três meses do seu Pernambuco e diz que jamais viu tamanho vandalismo contra as ferrovias, nem na Zona da Mata, no Semi-árido ou na Caatinga). Será o “faz-de-conta” mais em conta para a nossa cultura. E o padroeiro dos ferroviários o abençoará, seo Toninho.
Pregado no poste: “Embarque no trem da história, prefeito.”

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