Ratos servindo ratos

Quando a vida nesta terra era civilizada, os pombos-correios eram o símbolo da paz e voavam com um ramo de oliveira no bico. Assim fez Noé e está Bíblia. Agora, na era da selvageria determinada pelos traficantes de drogas e sua protegida clientela, qualquer pombo, correio, amargoso ou rato de asas, leva no peito um celular ou uma bomba – tanto faz, porque o objetivo é o mesmo: matar.

A polícia pegou uma correspondência sinistra dia desses, circulando em torno do Centro de Detenção Provisória de Hortolândia. (Se virar Centro de Detenção Eterna, o povo agradecerá e ninguém lá de dentro fará falta aqui fora. Nunca). A repórter Mariana Teodoro conta que para capturar essa ave de maus agouros, foram utilizadas iscas de pão. Em Minas, os vigilantes preferem abater os pombos – por enquanto só os pombos.

Como bem observou Eurides, nos comentários da notícia da Mariana, a bandidagem já está desencaminhando até os animais. De fato, na América Central macacos são treinados para colher cocos e – bem que tentaram – colher cana no Nordeste do Brasil. Burros rodam moinhos, cães guardam o patrimônio, enquanto cavalos, camelos e elefantes foram os primeiros a encurtar as distâncias da Humanidade. Muitos agricultores nem sabem, mas há milênios minhocas aram a terra melhor do que qualquer arado – elas não desbastam o solo. Toda uma fauna a serviço da paz. Mas justo os pombos, quem diria, são treinados para a guerra do tráfico.

Outro observador atento alerta que, como no reino dos homens, no reino animal a serviço dos homens maus, o bicho comete o crime e é solto.

Ainda bem que uma equipe de cientistas está para chegar à vacina que impede o efeito de qualquer droga: cheirando, injetando, fumando, comendo ou bebendo, todos assistirão à falência do tráfico. Quero ver que político votará contra a obrigatoriedade dessa vacina.

Pregado no poste: “Lady Di? Lei de Deus”

 

 

 

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