Quem foi?

Foi assim. Seo Lazinho Capellari, então mui amado prefeito de São Pedro, ligou para a sucursal do Estadão em Campinas apavorado:

— Seo Moacyr, o senhor venha ajudar a gente, porque ainda vai morrer gente aqui. O senhor imagina que, de repente, gente bem passou a receber cartas anônimas contando prevaricações da vida de cada um. O presidente da Câmara foi avisado de que a mulher dele anda com o gerente do Banco do Estado, que dorme com a do dono da farmácia, que namora a mulher do delegado atrás da Matriz. O delegado está aqui na minha frente e não sabe por onde começar a investigação. Veio armado, ai meu Deus!: recebeu uma cartinha dizendo que a mulher dele paquera eu. As cartas são todas escritas à máquina, parece a mesma máquina. A linguagem, seo Moacyr, é igual à do Odorico Paraguaçu, nessa novela, o ‘Bem Amado’.

Na estrada que leva de Piracicaba e Águas de São Pedro a São Pedro, debochando do nome do prefeito, pintaram placas enormes: “Abaixo da ditadura lazarenta!”. Tempos de Médici. O Estadão, censurado até a alma, abriu a foto das placas na primeira página, valendo-se da brecha.

— Aqui tá todo mundo olhando de lado, seo Moacyr. Eu acuso: o autor dessas cartas é o promotor. Ele não gosta de mim. Ele toca piano num inferninho perto de Cerquilho e faz campeonato de pum lá!

Fui atrás do promotor, que já havia pedido transferência para Ibiuna. Devolveu a acusação: “Quem escreve é o prefeito! Se o senhor puser no jornal que faço pum na boate, processo o prefeito!”. Claro que pus, uai!

Depois do estrago feito com a reportagem, o delegado apareceu na sucursal:

— Descobrimos. Quem escrevia as cartas era o padre. Já o indiciei. D. Aniger, bispo de Piracicaba, proibiu o padre de falar e ele também não fala. Agora, estão todos aliviados.

— Aliviados, seo dotô? E se ele revelou segredos de confessionário? Hein? Hein? Hein?

Lembrei-me disso porque esta semana ‘explodiu’ causo parecido em Batatais. Circulam pela Internet mensagens com a lista dos dez gays mais enrustidos da cidade. É a volta da tensão, porque há dez anos rolou a lista com os nomes dos dez mais chatos e das dez mais feias do lugar. Antes que o acusassem, o padre de lá já avisou que não é ele. Descobriram: é um cobrador de ônibus.

Pregado no poste: “Caminho das Índias? Prefiro o Caminhos da Roça!”

 

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