Delírio! Delírio!

Professor, mestre pra valer, é assim: a gente liga para tirar uma dúvida sobre os violinos Stradivarius e o insuperável José Alexandre dos Santos Ribeiro, do elenco insuperável do Colégio ‘Culto à Ciência’ que pontificou naquele templo até meados dos anos 70, nos abarrota de conhecimento.

É certo que de 1867 a 1897 Campinas viveu a fase mais alucinada e alucinante de sua vida. Aconteceu tudo:

Máquina a vapor na fábrica de chapéus dos irmãos Bierrenbach; serviço diário dos Correios; rodam os trens da Paulista, Funilense e Mogiana; ruas iluminadas a gás e depois à eletricidade; fundam as escolas Alemã (Rio Branco), Progresso e Culto à Ciência; normas de trânsito; aberta a Santa Casa; bonde elétrico; rinque de patinação (depois, cine Rink); o telefone (dois anos depois de Grahan Bell, esta foi a segunda cidade do mundo a ter telefone e 56 assinantes só no primeiro ano da pioneira Companhia Telefônica Campineira); serviço de limpeza pública; numeração das ruas; o sagrado Instituto Agronômico; Filadelfia escolhe e aplaude o hino ao Centenário da Independência dos EUA composto por Carlos Gomes; o mercado de Hortaliças (também casa das andorinhas); o fonógrafo de Edson põe a cidade na era do som; ergueram a Casa de Saúde, a Beneficência Portuguesa e a Catedral; arborização dos largos do Carmo e do Rosário; água encanada; saem as pedras irregulares e entram os paralelepípedos revestidos de macadame; dois anos depois dos irmãos Lumière, em Paris, assiste-se ao cinematógrafo no cine São Carlos, em 1897. Era a gente desta cidade vestindo de luxo sua “Princesa d’Oeste”.

A apoteose se deu a 4 de julho de 1886. Sobe à cena no palco do Teatro São Carlos “A Dama das Camélias”, de Alexandre Dumas Filho, estrelada por Sarah Bernhardt, a mais festejada atriz do Mundo. Ela e sua companhia desembarcaram na Estação da Paulista e desceram, a caráter, a Treze de Maio, até o teatro. Ela espantou-se com a recepção e com a explicação: não tínhamos mais escravos e nossos colonos, muitos italianos, conheciam bem a obra de Giuseppe Verdi, que transformou a “Dama” em La Traviata (a Transviada). Imagine o que foi aquilo; nem Frank Sinatra no Maracanã.

Quem quiser saber mais e melhor sobre a “Dama das Camélias”, vá à Academia Campineira de Letras dia 16 de maio, às 15h30, Rua Dr. Mascarenhas, 412, fone 30124905. É que mestre Alexandre exibirá um DVD da ópera e contará boas histórias a respeito. Como sói em Campinas, a melhor cultura é de graça.

Pregado no poste: “Bairrista é a vovozinha”

 

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