Quem matou Toninho

Cenas da entrevista antológica e reveladora de Roseana Moraes Garcia à repórter Rose Guglielminetti, domingo passado, aqui no Correio:

“As pessoas pensam que essa cidade é quintal da casa delas, e quintal ainda maltratado. Fazem as coisas do Poder Público de qualquer maneira e isso Antônio não queria. Eles sempre souberam, desde a primeira vez que Antônio foi vice-prefeito (gestão Jacó Bittar), quando foi banido. Só que, desta vez, não tinha jeito de bani-lo. A única forma foi matá-lo. Foi o crime organizado que matou Antônio da Costa Santos. Me desespera.”

“A primeira vez que fiquei com medo de que Antônio morresse foi quando mataram o governador o Acre (Edmundo Pinto, em 1992). Na época, Antônio denunciava contra o governo Jacó Bittar.”

“Quando a CPI do narcotráfico veio aqui, Hildebrando Paschoal (ex-deputado que perdeu o mandato e foi preso por envolvimento com o narcotráfico) tinha braços aqui em Campinas.”

“Ele tinha uma preocupação com nossa filha por estar mexendo em Viracopos (desapropriação dos 17 bairros). Quando ele me falou isso, foi um dia em que ele teve uma reunião tensa na Prefeitura. Foi uns 15 dias antes de ele ser assassinado.”

“Hoje, do jeito que foi encaminhado, Viracopos não será do jeito que Antônio planejou. As pessoas envolvidas nisso sabiam que com ele prefeito, não ia se fazer qualquer coisinha, qualquer negocinho lá para alojar essas pessoas.”

“Muita coisa não foi investigada. Acho que o único veio forte é Caraguatatuba. Quero saber porque os supostos criminosos de Toninho foram mortos por policiais de Campinas.”

“Tenho muito medo, pavor. No início, eu não sabia direito com quem estava lidando. Eu não conhecia a Polícia, não conhecia a Promotoria, não conhecia o governador, o secretário de Segurança. E aí fiquei sabendo como que é esse conhecimento.”

“Ele dizia que não dava para projetar uma cidade onde as pessoas não estavam preocupadas com ela. O que interessa aqui é especulação imobiliária, não é qualidade de vida. O que interessa é o dinheiro no bolso para quem está fazendo um empreendimento. Qual é o único jeito de anular isso? Matando.”.

“Tão obstinado que chegou a ser prefeito depois de ser banido pela Prefeitura.”

“A coisa que mais chateava Antônio era a máquina que ele precisava vencer. Máquina emperrada, com corrupção, viciada. Ele ficava muito chateado por ver que as coisas não andavam. Não bastava determinar.”

Pregado no poste: “A polícia leu essa entrevista?”

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