Quando danço com você…

Ninguém está a salvo do C. C., produzido pela transpiração normal depositada nos poros. Não arrisque seu prestígio! Use Lifebuoy. Só Lifebuoy contém o elemento antisséptico especial que remove completamente os resíduos transpiratórios e – de fato – evita C. C..”.

Esse texto, do primeiro anúncio do sabonete Lifebuoy, foi publicado em jornais e revistas do Brasil no dia 1º de dezembro de 1946. E com esta campanha, o termo “cecê” entrou para o vocabulário do brasileiro. Até aquele dia, Cecê era apelido de Cecília. Depois, ai de quem chamasse alguma Cecília de Cecê. Para justificar a falta de cuidados com os sovacos, os autores do “Manifesto Machista Mineiro” incluiram a seguinte explicação no documento: “Cheiro de homem é Cigarro, Chulé e Cecê.” Mas não se esqueceram, é claro, de manter a recomendação: “Troque o carro da sua mulher por um aspirador de pó zerinho.”. Nestes tempos de liberação das drogas, sugerir um aspirador de pó em casa pode pegar mal…

A descoberta do “cecê” é do jornalista Cley Scholz, autor do insuperável blog “Reclames do Estadão” (blogs.estadao.com.br/reclames-do-estadao). Já é o mais importante acervo histórico da publicidade brasileira, ali reunindo 136 anos de evolução da nossa propaganda.

Com o cecê já consagrado, começavam as paródias.

Fazia sucesso um samba-canção com Maurici Moura, se não me engano, com versos assim: “Quando danço com você / Sinto coisas que nem sei…”. Foi aí que um gaiato, num bailinho no clube do laboratório Merck Sharp & Dohme, ali no Arraial dos Sousas, cochichou no ouvido a moçoila: “Quando danço com você / Sinto cheiro de cecê…”. Tomou um vaivém no rosto que arde até hoje…

Como resultado das primeiras aulas de Francês da querida mestra Lícia Pettine, no “Culto à Ciência”, ainda na primeira série ginasial, saiu esta única versão para aquele sucesso: “Quand je danse avec vous / Je sens l’odeur de votre cou…”.

É que a única parte do corpo a rimar com “vous”, em francês, é o pescoço.

Dona Lícia virou-se para lousa e não olhou para a classe até bater o sinal. Saiu de costas para nós. Meu Deus, como ela ria!

Pregado no poste: “Fede mais do que cecê o desdém desse laboratório gringo com o Centro Boldrini”

 

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