Durma solteira; acorde casada

Já vi, li e ouvi os anúncios mais absurdos, que hoje dariam urticaria na turma do politicamente correto. Claro que a propaganda política não conta. É enganosa e, cinicamente, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) finge que não é com ele. Esta Copa do Mundo, que já foi cozinha do Brasil, produz os reclames mais recentes.

O Geraldo Trinca, por exemplo, pede para anunciar nesta crônica que vende uma vuvuzela semivelha, com apenas cinco jogos de uso, e dá garantia até 2014. Essa é boa: a bola jabulane, que faz caminho mais enviesado do que o olhar da Capitu, está no mercado, com a cara de todos os candidatos. Chute sem dó, porque dó da gente eles não têm. Aquele modelito do Dunga encalhou nos camelôs: fiscais da pirataria recusam até como presente. Camisa do Paraguai, nem as legítimas. A Disney anuncia nova versão para aquela história: “Depois que Branca de Neve expulsou Dunga de seu harém”.

O empresário Jairo Balbo, que tira tudo da cana, de cera e remédio a plástico, diz que quem tiver carne sobrando em casa pode mandar. Ele compra, desde que a cerveja, que sobrou das mágoas, siga como brinde. E jura que paga o frete até Sertãozinho.

Nas farmácias deste interiorzão de meu Deus, o pessoal aproveita e expõe remédio contra pressão alta em cestinhas na porta, como oferta do dia. Ao lado, outra cestinha, com medicamento para dor de ouvido e, desde sexta-feira, analgésico, muito analgésico – “que, apesar do nome, é só para dor de cabeça”, avisa o vendedor. Por falar em farmácia, numa cidade lá perto de Birigui, diz o locutor da propaganda de remédio num programa de música sertaneja: “Na farmácia Bilac, é tudo tão barato, que dá gosto ficar doente.”.

Mas o recorde absoluto de novidade aconteceu na manhã do sábado que passou. Ouvia eu a Rádio Morada do Sol, de Araraquara, e o divertido pontepretano Rouberval José apresentava seu “Show da Morada”. Quando ele começou anunciar as maravilhas de u’a marca de colchões, entrou uma ouvinte, talvez “adrede preparada”, e testemunhou a benção: “Rouberval, ligo para dizer que esse colchão é ótimo para quem quer ser mãe! Foi só comprar e fiquei grávida, Rouberval!”.

Pregado no poste: “Compre hoje mesmo: colchão concepcional”

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