Quais são as últimas?

Atenção senhores motoristas de ônibus, caminhões e automóveis que transitarem pela Via Anhangüera, a partir de amanhã, em direção a Ribeirão Preto. Conversei com o capitão Arruda, comandante da Polícia Rodoviária aqui de Ribeirão, e ele me autorizou a dar plantão no posto da guarnição que fica aqui no km 305. Sabem o que eu vou fazer lá? Os guardas-rodoviários, penalizados com minha situação, poderão parar todos os veículos com placas de Campinas, para que os motoristas e acompanhantes me contem novidades desta nossa cidade.

Tudo porque até hoje os Correios atrasam a entrega do meu Correio Popular. Já tive um entrevero com o coitado do carteiro da minha rua. Ele até abriu a sacola de lona para provar que não tinha ficado com o meu jornal. Jurou por Deus que ninguém o assaltara na base do “A bolsa ou o Correio!”. Confessou apenas que no trajeto, às vezes, ele pára tomar uma água e dá uma lidinha no jornal. Ele e os colegas do posto, que também devoram o jornal. O pobre mensageiro também garantiu que não vem a pé de Campinas a Ribeirão.

Quando ele vem com o jornal, já dobra a esquina gritando. É uma festa. Até o cachorro comemora. Mas chega sempre com uns dez dias de atraso. Todo dia tenho de amolar o Mário Evangelista, a Zina, o Beto Godoy, o Paccola, o Ruço, a boa cabeça do Renato Otranto, a Gabriela Dobnner, a Ana Paula Scinoca, coitados, para “colocar Campinas em dia”. Eles não me agüentam mais. A Maria do Carmo Pagani, então, nem me atende mais…

Hoje faz uns dez dias que a Lígia e a Vanessa me enviaram um livro recomendado pela Maria Teresa Costa, “o terror dos medíocres”. Não, não é esse o nome da obra. “Terror dos medíocres” é ela. O título é “A cidade: os cantos e os antros”, do mestre José Roberto Amaral Lapa. Por culpa dos Correios, ainda não li. Mas se é do professor Lapa, é leitura obrigatória.

Diz a Teresa que o livro vasculha os porões do passado de Campinas. Fala dos lugares “malditos” da cidade de antanho, das primeiras prostitutas, precursoras das “meninas” do Jardim Itatinga. Conta a revolta da população com a mudança constante dos lugares onde tinham de enterrar seus mortos: será que havia cemitério ambulante em Campinas?  Até isso? Mais: narra a história da forca que havia no Largo de Santa Cruz, onde o escravo Elesbão morreu pendurado. Aí, os moradores do largo exigiram a retirada da forca da frente de suas casas. Nesse local, e ainda está lá, foi erguida a primeira capela da cidade. Se demorar mais, vou pedir à Teresa que me leia o livro pelo telefone.

O livro não conta, mas a Teresa descobriu que aquele logradouro ganhou o nome de Praça XV de Novembro, porque foi ali que o doutor Pedro Magalhães, ancestral do jurista Ruyrilo de Magalhães, comunicou aos cidadãos que a República havia sido proclamada pelo marechal Deodoro da Fonseca. Tenho certeza de que a notícia da Proclamação chegou a Campinas muito mais de pressa do que hoje os Correios demoram para trazer meu jornal de Campinas a Ribeirão Preto. Se os serviços dessa “estatal da carta” fossem assim há 109 anos, os campineiros que vivem fora de sua terra ainda não estariam sabendo que Barreto Leme fundou esta cidade.

Pregado no poste: “Quando os políticos saem de Brasília, a Capital fica às moscas ou elas vão com eles?”

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