Por quê?

Não há bloqueador de celulares que resista ao avanço da tecnologia nem à criatividade dos bandidos. Mas ninguém resiste a uma tela de galinheiro. Quem viu não se esquece jamais. A repórter Luciana Julião, da nossa EPTV, em pleno Jornal Nacional, tentando ligar para o cientista Vítor Baranauskas, da Unicamp, “protegido” por uma gaiola feita com… tela de galinheiro. Nem ele falava com ela nem ela, com ele. Da bancada, no Rio de Janeiro, pela primeira vez, a apresentadora Fátima Bernardes perdeu a fleuma e riu como nunca fizera antes, diante das câmeras da televisão e da tela do galinheiro.

Enquanto a população paga milhões para o governo do Estado instalar nas penitenciárias desbloqueadores que já não servem para nada, o cientista Baranauskas diz que qualquer presídio pode ser cercado com tela de galinheiro, que custa R$ entre R$ 2,62 (fio 22) e R$ 2,72 (fio 23) o metro, nas melhores casas do ramo.

Ele dá os detalhes: “Cada furo da tela pode ter até 33 centímetros de diâmetro — esse é o comprimento da onda de radiação propagada pelo telefone celular. O único inconveniente para os presos é que a ‘blindagem’ com essa tela também neutraliza a recepção de televisão e rádio na cadeia.”. Ele ironiza: “Mas como se trata de reeducandos…”. Segundo o cientista, professor da Faculdade de Engenharia Elétrica da escola do mestre Zeferino Vaz, para o preso usar o celular através da tela de galinheiro, ele teria de passar a antena do telefone pelo furo, sem que a vigilância percebesse ou se ela o deixasse se aproximar da barreira. Para Baranauskas, os desbloqueadores sempre serão vulneráveis, porque a cada conquista tecnológica, será preciso trocar o sistema de bloqueio.

De acordo com Baranauskas, que não entende como nem por que “o governo gasta tanto dinheiro público com equipamentos ineficientes”, esse princípio da blindagem é conhecido do homem desde a primeira metade do século 19, quando o químico inglês Michael Faraday demonstrou a função do metal contra ondas eletromagnéticas. Sem duvidar da competência dos técnicos brasileiros, ele observa que quase toda feira de ciências de colegiais exibe a prosaica “Gaiola de Faraday” — uma cerca de alumínio que impede interferências externas de campos elétricos ou eletromagnéticos. Um aparelho de rádio ligado, embrulhado numa folha de papel, ‘pega’; numa folha de alumínio, não. “Dentro da gaiola do Faraday, nem raio pega a gente”, desafia o professor.

Pregado no poste: “Professor, se engaiolarmos os políticos, ficaremos protegidos?”

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