A causa

Como cheguei faz pouco a Araçatuba, além do calor de sempre, algo me espantou nesta cidade na semana passada. Que coisa! Não se fala outra coisa, é assédio sexual pra cá, assédio sexual pra lá. No aeroporto, na avenida Brasília, na Praça Getúlio Vargas, na Ruy Barbosa, na João Pessoa. Até na Rodoviária. Meu filho desembarcou e o motorista do táxi foi abrindo a conversa: “Já está sabendo?”

Só que todo mundo conta o milagre, mas ninguém conta o santo. Se é que em ‘causo’ de assédio sexual existe santo. Dependendo da idade do acusado, pode-se até falar em milagre, mas em santo, jamais!

Assédio sexual é feio e acontece em toda parte. O assunto mexe com a curiosidade dos fofoqueiros, mas é uma vergonha. Falam que existe no trabalho, no lazer, nos gabinetes (nos gabinetes!), nas casas, até na igreja e no esporte. No esporte, então, deve ser o maior reduto, embora artistas de televisão jurem que não, que a coisa ferve, mesmo é lá. Sei lá.

Mas de tanto ouvir falar em assédio semana passada, por causa da meritória campanha contra o abuso sexual em crianças e adolescentes; por causa da neta do Leonel Brizolla, que acusou um deputado de assediá-la ou porque a Câmara Municipal (aqui também tem isso) vetou projeto que pune servidor público que praticar assédio moral (claro!). Pois é, vetou! …mas de tanto ouvir falar, lembrei-me de um caso na área esportiva, que abalou os alicerces da medicina esportiva e a cúpula de um clube, tem uns três ou quatro anos.

Quem me contou foi o Renato Otranto, repórter aqui do nosso “Correio Popular” e da Rádio Jovem Pan. Foi tão… tão… que ninguém teve coragem de noticiar. Teriam de dar nome aos bois e aí, as vacas não gostariam de ser celebridades assim.

É que um atleta foi pego no exame antidoping e fez um ‘estardaçalho’. Jurou de pés juntos, com tênis e sem tênis, de sunga e sem sunga, perante Deus e o mundo, a junta médica e tudo, que nunca tomara substância alguma. Ele fazia curso de Inglês, sonhando jogar no Arsenal, e repetia: “Never, never, never!”. O médico do clube jurou que não prescrevera ‘niente’ para ele tomar. E que achava impossível aquela substância aparecer em algum medicamento ou droga. Como aquilo foi parar no xixi do acusado? Prova, contraprova, reprova, experimenta, e a coisa lá. O coitado, suspenso preventivamente.

Um dia, já em casa, o médico, fuçando as coisas da filha, bela, esbelta e moderninha, leu, no relance, o nome da coisa num frasco. Ligou rápido para o atleta: “Você tem namorada? Pergunte se ela usa o desodorante tal.”.

Usava. Desodorante íntimo.

Pregado no poste: “Confie sempre em Deus, jamais em candidatos”

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