Passado na hora

Saudoso do Café do Povo, do Caruso e do Bar dos Bancários? Não vê hora de fazer boca de pito no Regina? Fã do Fran’s Café? Todo dia bate o ponto no Café do Ponto? Chegou a saborear o café do Bertoldo e do Romeu Brolesi, no Gabinete do Prefeito, ali no Jequitibás? Quem gosta de café não vive sem ele e sabe que quando a xicrinha vem fumegando, a gente nasce. É a melhor bebida do mundo – o café é nosso pastor e nada nos faltará!

Então, não esquente com essas previsões de que se a temperatura da Terra subir três graus, a cafeicultura vai embora de São Paulo. Palpite infeliz. Para cirurgia plástica, você procura cirurgião ou açougueiro? Para a planta da sua casa, você prefere arquiteto ou grafiteiro? Para construí-la, escolhe engenheiro ou barraqueiro? Neste mundo ‘véio sem porteira’, ninguém conhece mais o cafeeiro do que o Luiz Carlos Fazuoli, o Roberto Antonio Thomaziello e o Marcelo Bento Paes de Camargo, todos discípulos do senhor Alcides Carvalho, do nosso Instituto Agronômico. Afinal, ali não há lugar para pequenos nem exibicionistas.

Veja o que eles dizem sobre a falsa tragédia anunciada:

“Os próprios relatórios contêm alto grau de incerteza nos resultados.”

“A afirmação é no mínimo prematura; exige análise dos possíveis cenários e da situação da capacidade técnica-científica da cafeicultura atual.”

“O aumento de 3° C elevaria essas temperaturas para 21 a 23°C, continuando a região apta para a cultura comercial do café.”

“Outros aspectos primordiais foram totalmente ignorados pelos que consideram só a temperatura média. Ao longo de décadas de pesquisa, o IAC e outras instituições desenvolveram tecnologias que permitem atenuar o efeito de temperaturas adversas.”

Eles ensinam:

“Que práticas agronômicas atenuam este cenário de aquecimento, viabilizando a cultura do café? Irrigação, arborização, adensamento, manejo do mato… Trabalhos recentes mostram que a arábica Catuaí vai muito bem em regiões baixas e quentes.”

E alertam:

“Devemos ser mais cautelosos nos informes à sociedade, e em particular aos agricultores.”

O doutor Fazuoli, que em maio passado recebeu o “Oscar” da Ciência Agronômica, ganhará no final deste mês o prêmio “Frederico de Menezes Veiga”, a mais alta honraria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Portanto, parabéns à Embrapa, porque quando ela quer homenagear alguém que conhece o café, sabe aonde encontrá-lo…

Pregado no poste: “Se o cafezinho vicia, viva o cafezinho! Aceita mais um?”

 

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