Nossos bandeirantes

Não é possível. Deus deve ter descoberto nova fronteira no Céu e chamou os dois de uma vez para ajudar na conquista. Assim que o Iberê chegou lá em cima e recebeu a missão, intimou São Pedro: “Só vou se o Carlitão também vier!” O porteiro do Paraíso, que não é bobo, obedeceu. E em seguida o outro bandeirante partiu para as estrelas.

Lá estão eles agora. Dois campineiros, gigantes de uma mesma era, prontos para ganhar o espaço e expandir o Céu, como precisa o Pai. Afinal, a alma dessa dupla de conquistadores é grande demais para o tamanho do Céu de hoje. Haja firmamento!

Iberê à frente, medindo, examinando, decidindo o que vai aqui, o que vai ali; onde está a melhor água, o melhor pouso, a sombra mais reconfortante. Carlito realiza o sonho que já viveu nas telas, do filho bom de Fernão Dias, desbravador, iluminador da cidade, como nos tempos em que abria o mundo para os leitores do nosso “Correio Popular”. Eram tão populares que o povo brincava: “Carlitão do Correio ou Correio do Carlitão?”

Tão amigos, tão serenos, tão decididos, tão companheiros — um jamais iria sem o outro. Quanta ventura ouvi-los contar histórias de Campinas! Até Barreto Leme, bandeirante como eles, parecia se achegar. Estão lá, vivendo nova saga: edificando a Campinas Celestial, para campineiros daqui e de fora que já foram. Será tão grande esse presente de Deus, porque nela também não haverá lugar para pequenos.

Queridas Sílvia e Mariana, Neuzita e Beto Godoy mais dona Clotilde, que o sentimento de uma cidade inteira conforte vocês.

Carlos Tôntoli e Iberê Godoy Marques. Deus está em boa companhia.

O filme é “O caçador de esmeraldas”, com Dionísio Azevedo encarnando o bandeirante Fernão Dias. Desse filme, sei de duas histórias que, acredito, sejam lendas. Dizem que numa das cenas, aparece um “índio” de relógio e, em outra, vê-se o velho furgão da granja da Vila Brandina, que distribuía leite na cidade, passando lá no fundo do pouso dos bandeirantes. O Omar acrescenta mais uma: “Em dado momento, a comitiva a caminho do sertão de Goiás percorre uma trilha onde todo mundo percebe que está marcada por rastros de pneus de caminhão.”. Uma vez, assisti a esse filme ao lado de outro ator, o jornalista Carlos Tôntoli, que fez o papel do “filho bom” do Fernão Dias, e não vi nenhum “índio” de relógio nem o furgão. “Maldade, meu amigo, maldade!”.

Secretário Jornal de Paulínio

Carlitão do Correio ou Correio do Carlitão?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *