Fazuoli faz o bem

Ainda há lugares em Campinas em que a honra e a dignidade das instituições se mantêm, graças à dedicação de seus servidores, que preferem ignorar a perversidade do Poder e sustentar até por conta própria o valor de seu trabalho. Uma dessas instituições é o nosso Instituto Agronômico, presente de d. Pedro II à terra paulista. Ali, brasileiros com espírito paulista vivem para servir brasileiros e estrangeiros de todos os espíritos. Naquele templo, não há lugar para pequenos.

Há exatamente 35 anos, como fazia regularmente, visitava sua Seção de Genética de Café, em busca de notícias e um banho de brasilidade com um dos maiores brasileiros de todos os tempos, o cientista Alcides Carvalho, também um dos fundadores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, homem respeitado como “santo” ou “gênio” em todo o mundo.

Da janela de sua sala, na Fazenda Santa Elisa, ele viu um jovem passando e me disse: “Aquele moço ali será um grande cientista. Ele gosta do que faz, sabe o que faz e é ‘bão’ de serviço”. De fato: “aquele moço ali” é o herdeiro de Alcides, o doutor Luiz Carlos Fazuoli (a quem, sem querer, chamei de “Alcides Fazuoli”, numa reportagem). Humilde como Alcides, fiel devoto da natureza e patriota como o mestre.

Quase quarto de século depois, numa visita de despedida que dezenas de cientistas de todo o mundo faziam ao doutor Alcides em sua casa, ele chamou um companheiro de pesquisa e pediu: “Preste atenção ao trabalho daquela moça; ela tem futuro, se for orientada”. Aquela moça é a Maria Bernardete Silvarola, que com Fazuoli desenvolveu a primeira variedade de café descafeinado, um sonho do Alcides.

Sexta-feira, nosso Fazuoli, 35 anos de vida vivida para o café e para os que vivem dessa planta abençoada receberá o prêmio “Fundação Conrado Wessel de Ciência Aplicada ao Campo”. É o mundo reconhecendo o valor dos brasileiros de bem, já que os brasileiros que exercem seus podres poderes não reconhecem.

Fazuoli também pesquisa café resistente à seca e ao calor, outro sonho. Mas em sua fazenda, em Barretos, esse “peão” da ciência não cultiva café. Gozado, Fazuoli não planta e o doutor Alcides não tomava café. A cada ‘xicrinha’ que bebo, desconfio desses dois amigos. O que eles sabem que eu não sei?

Pregado no poste: “Ligue seu celular e fuja!”

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