Paris de hoje, Campinas de ontem

(Aquele coitadinho que seqüestrou o Abílio Diniz, e d. Paulo pediu para soltar, foi preso com 13 quilos de cocaína. Crime político?)

Houve época em que Campinas ficava a seis horas de Paris. De Concorde, como justificou o repórter Antônio Carlos de Júlio a um grupo de colegas que cobriam os Jogos Abertos do Interior, em Tupã – e assim, ele acabou com uma conversa de bairristas. Naquele tempo, a comparação era recíproca: os parisienses também se orgulhavam de viver a seis horas daqui. Hoje, nossa cidade está tão desgraçada que nem o diabo quer colocar o inferno na Região Metropolitana de Campinas.

Semana passada, a comparação veio à tona de novo. Não tenho interesse nem atração alguma por festas do “rrraiguessuçaide…” — assim mesmo, bem debochado, como só a Elis é capaz de cantar — e esculhambar. Mas Patrícia, filha do Naji Nahas, casou-se com o André Germanos. Tudo gente fina. O escracho começou contra São Paulo. A dupla se casou na Catederal da Sé e uma convidada perguntou se os demais não tinham medo. Depois, descobriram que havia mais seguranças do que convidados.

Com o título de “Caviar na colher”, asim pincela a colunista Mônica Bergamo (boa gente) o que foi o deslumbre:

“Acostumados a festas inacreditáveis, ainda assim os convidados se deslumbraram. A decoração, de orquídeas brancas, era de Vic Meirelles. Os garçons passavam pelas mesas, forradas de toalhas de organza bordadas, com potes — isso mesmo, potes — de caviar, e as pessoas se serviam às colheradas.
Uma das estrelas da noite foi Bethy Lagardère, a brasileira… viúva de Jean-Luc Lagardère, o maior empresário do país, morto no ano passado, Bethy quer investir parte da herança no Brasil, ajudando projetos sociais com crianças da Bahia. Uma das mais chiques da noite, ela vestia um Pierre Cardin — como a mãe da noiva, Sula Nahas. Outra estrela da festa era a publicitária Silvana Tinelli, num Daslu dourado cheio de franjas. Rutinha Malzoni teve que ficar sentada de lado (‘Cruzes!!!’) (O ‘Cruzes!!!’ é meu.). É que o vestido dela, verde, tinha um laço volumoso que impedia que ela se sentasse normalmente. A noiva vestia Elie Saab. O ponto alto da festa foi a apresentação do cantor canadense Paul Anka, autor de ‘My Way’, imortalizada na voz de Frank Sinatra. Anka criou uma versão especial da música para a festa, colocando no meio dela os nomes de Naji Nahas, da noiva e de seus parentes. Bethy Lagardère e — surpresa! — a discreta Chella Safra, mulher de Moise, dançaram até altas horas da madrugada.”

O escracho terminou no estado humilhante em que se encontra Campinas, cuja (má) fama já chegou ao Exterior. A mesma Mônica relata:

Boa parte do sucesso do casamento de Patrícia Nahas e André Germanos se deve ao sucesso do tio dela, Nabil, irmão de Naji. Ele, que veio de Nova York na semana passada, teve carta branca para influir em tudo, da decoração ao buffet. ‘Esse casamento tem que ter a cara da Paris contemporânea, não de Campinas’, dizia aos profissionais que supervisionou durante os preparativos para a festa.

Pregado no poste: “Contra burguês, não vote em novaiorquês”

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