Outros tempos; outros reitores?

Será que ainda há pessoas que se anunciam professores e chantageiam alunos? Professor não usa o aluno; não brinca com suas deficiências, da alma, do bolso ou do corpo; não humilha quem aprende com dificuldade nem elogia o bom para constranger o coitado. Não compara, não oprime, não protege, não impõe, não obriga, não acusa, não força. Professor é o que ama o filho dos outros como seu. Professor é aquele que ensina. Quem tem professor aprende – para sempre. Ensinar é a mais nobre, elevada e difícil das missões. Exige, antes do conhecimento, amor ao próximo, talento, generosidade e vocação – presentes divinos. Só para escolhidos.

Professor, de verdade, é a pessoa mais importante da sociedade. Sem ele, todos seríamos ninguém.

Felizmente, todos os que tive na vida ainda os tenho.

Agora, permitam-me contar uma historinha vivida com um deles. É curta. Ele dirigia uma universidade nos duros tempos da ditadura militar, mas não oprimia nem permitia que oprimissem seus alunos, por nada. Nem os donos do poder nem os que se rebelavam contra eles.

De repente, apareceu um falso professor. Dos que se alinhavam entre os rebeldes. Covarde – usava seu conhecimento para enganar os que ainda não tinham o mesmo nível de compreensão. Parcial, tendencioso, mentiroso. Tudo o que um professor não consegue ser. Caiu pela ganância e pela indisfarçável arrogância dos fracos. Um dia, exigiu que a classe comprasse uma lista de vinte livros, cinco ou seis importados, todos caríssimos. “Ninguém será aprovado em minha matéria sem ter esses livros em casa”, desafiou.

Talvez tivesse se esquecido de suas pregações típicas de quem forma a personalidade só nos “4 P” – panfleto, palestra, palanque e passeata”. E não percebeu que os estudantes das universidades particulares eram pobres e o das públicas, ricos. Como é até hoje.

Chegou a vez de levarmos a nossa rebeldia ao conhecimento do reitor. Estávamos preocupados – afinal, pelo Decreto 477, toda reivindicação de estudante era “coisa de terrorista”. Mas fomos. Ficamos surpresos:

— Vocês têm toda a razão! Isso não é atitude de um professor. Escolham vocês mesmos novo professor, que eu aprovo. E deixem que eu comunico ao que estava humilhando vocês o desligamento.

Obrigado, magnífico reitor Benedito José Barreto Fonseca. No gabinete, na classe, em todo lugar, o senhor sempre faz falta.

Pregado no poste: “Degeneração pega?”

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