Obrigado, mestres

Sempre fica uma lição dignificante de uma tragédia, por pior que seja a desgraça que se abata sobre a Humanidade. Enquanto não se via nem uma luz de esperança em meio à onda gigante que tirou 150 mil pessoas da Terra, de um segundo para o outro, eis que uma chama estava acesa. E quem iluminava aquelas trevas? Um professor. Um professor que nem estava ali, mas a lição que ele deu estava, na mensagem de uma menininha inglesa de dez anos.

Nem sei se todos leram ou souberam do momento mágico vivido em meio às mortes na praia de Maikhao, em Pukhet, na Tailândia. Entre tantas notícias ruins, li esta:

“Menina de 10 anos salvou 100 pessoas da tsunami. A presença de espírito e os conhecimentos de Geografia de Tilly Smith acabou salvando sua família e a vida de outros 100 turistas na praia de Maikhao, em Pukhet, na Tailândia. Ao ver o rápido recuo da água do mar, a menina, de apenas dez anos, alertou seus pais, que avisaram a todos para deixarem a praia. Minutos depois, uma forte onda varria o local, mas sem deixar vítimas. Detalhe: ela havia estudado o fenômeno das tsunamis nas aulas de geografia apenas duas semanas antes da tragédia na Ásia. Humilde, a pequena heroína deu crédito pelo salvamento ao seu professor: ‘O Sr. (Andrew) Kearney nos ensinou sobre terremotos e como eles podem causar tsunamis.’. Apesar de ter salvo diversas vidas, Tilly explica tudo com a simplicidade de seus dez anos: ‘Eu estava na praia quando a água começou a ficar engraçada. Tinham bolhas e as ondas sumiram de repente. Eu percebi o que estava acontecendo e achei que era uma tsunami. Aí eu avisei à mamãe.’.

A professora ou o professor é a primeira pessoa a quem os pais confiam seus filhos quando eles saem de casa pela primeira vez. Pare e pense só um pouquinho: quem seria você, sem seus professores? Imagine o que você estaria fazendo hoje, não houvesse o professor na história de sua vida? Agora, imagine as outras pessoas – todas – conheça você ou não, sem professores na vida delas. Sinta como se misturam as figuras – e a missão — dos pais e dos mestres na construção do ser humano. Claro, há professores ruins, como existem pais malvados – nos dois casos, não são professores nem pais de verdade.

Professor não é uma profissão que se escolhe – não basta ter conhecimento, é preciso saber transmiti-lo e esse dom não se aprende na escola. Vem com a alma, assim que se nasce. Mães analfabetas sabem criar filhos maravilhosos. Assim como um professor de escola primária, como esse mestre inglês, de nome Andrew Kearney, é capaz de fazer uma criança de dez anos, dentro de uma sala de aula, aprender a “sentir” o grande perigo num cenário completamente diferente do que ela aprendeu e onde ele nunca esteve! Só um professor sabe fazer isso. Mais ninguém. Poderiam levar àquela classe da menina Tilly o melhor geólogo, o mais experiente sismólogo, para explicar uma tsunami. Mas se eles não forem professores, ninguém sentirá nada.

A mais intensa manifestação de generosidade do ser humano não é apenas a de dispor de seus bens materiais para ajudar o próximo, mas a de transmitir o que sabe a quem está começando a vida – é como projetar a sua alma em seu semelhante.

Quem ensina salva vidas.

Pregado no poste: “Enquanto os políticos custam, os professores valem!”

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