Nem só de Culto à Ciência…

Se eu escrevo demais sobre o colégio Culto à Ciência e de menos sobre os outros, então, se você estudou em escola pública, pode mandar suas lembranças, antes que, por causa desses governinhos, ela desapareça. Para começar, a Regina Calhau Trinca fala de seus (bons) tempos no Victor Meirelles.

“No dia em que você pediu para eu escrever sobre o colégio Victor Meirelles, o ‘Vitão’, por coincidência, conversei com uma amiga, a Milly Liu, daquelas amigas desde o curso de admissão ao ginásio, lembra? E falamos da situação caótica dos prédios das escolas estaduais: carteiras quebradas, paredes sujas e pichadas e coisas piores. Isso não acontecia na nossa época. Quando li seu pedido, a primeira reação foi dizer ‘não me lembro de nada’. Mas depois comecei a relembrar e é incrível como tudo se passa como num filme. Vamos nos recordando de tantos detalhes… É uma delícia.

Pensei em nossos professores, que como você tantas vezes já escreveu, não nos ensinavam só as matérias curriculares, mas disciplina, respeito, solidariedade, amizade e tantos exemplos que nos faziam respeitar muito mais a nossa escola. Então, lembrei-me de alguns deles que ficaram mais vivos na memória de seus alunos.

Sob a direção impecável da Ana Maria T. V. Lima, estudávamos. E aprontávamos, também. Como no dia em alguém, até hoje não sei quem, colocou um palito de dente na fechadura do seu Fusca, e ela não conseguia entrar no carro. Maria Cecília Coppo Ribeiro, professora de Canto Orfeônico, com seus grandes olhos azuis e voz grave, nos fazia cantar o Hino Nacional até de traz pra frente. Resultado: sabemos a letra toda até hoje. O Inglês, com Max Farjallat, depois nossa querida Miss Clark, na verdade Yone Câmara, sempre lembrada por sua alegria. Plácido e William, de História; Chicão, de Desenho; Gerson e Zé Lopes, de Matemática; Mariolane, de Química; Juraci e Rose, de Português; Maria Helena Valverde; de Geografia; Regina de Freitas Duarte do Páteo, de Física… Quando fazíamos uma pergunta cuja resposta fosse ‘não’, prontamente nos respondia: “Nunca, jamais, em tempo algum”. Mais as irmãs Taninha e Terezinha e o Renato, na Educação Física; o Victor, de Francês…

Uma lágrima para a Madalena, de Biologia, que tão cedo partiu, nos fazendo ter contato com uma doença que assusta até hoje, a leucemia. Nossos inspetores de alunos Ferreira e Maurício — eles quase mediam o comprimento de nossas saias (depois das aulas, eram enroladas na cintura, para mostrarmos os joelhos…)

Que saudade! E que bom ter esta oportunidade de recordar. Tomara outros alunos tenham mais histórias boas para nos contar!”

Pregado no poste: “Mãos ao alto! Isto é um pedágio!”

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