Moisés! Pois és!

Descoberto o jeito de acabar essa guerra no Oriente Médio. Claro que além das causas religiosas, está a silenciosa disputa pela água naquelas bandas. Cada brasileiro dispõe de 46 milhões de litros de água por ano e eles, só de dois milhões. Lá, água vale mais do que petróleo.

Feliz foi Noé, que teve toda a água do mundo só para ele. Cientistas da Universidade de Cornell (não confunda cientista de Cornell com repentista de cordel) alertam que é melhor, desde já, trocar o bife com arroz por frango com batata, para… economizar água! Contam que um boi bebe tanta água, do nascimento ao abate, que cada quilo da carne dele representa um consumo de 100 mil litros de água que ele bebeu até chegar ao açougue. E um quilo de arroz, da brotação à colheita, 1.910 litros.

Enquanto isso, um frango bebe só 3.500 litros por quilo e um quilo de batatas usa 500 litros da germinação à mesa. Lembra daquela brincadeira “Cadê a água? O boi bebeu…”? Bebeu, mesmo. Pelas contas do cientista, um boi com 250 quilos só vai para o matadouro depois de ter bebido 25 milhões de litros de água!

É a carne do mais beberrão dos bichos acompanhada da mais beberrona das lavouras, que muita gente leva para o prato todos os dias. O arroz só perde para a soja. Um quilo de soja “bebe” dois mil litros. O trigo e a alfafa usam 900 litros; o sorgo, 1.100 e o milho, 1.400.

Indignado, um prefeito de Cabo Frio teve a pachorra de medir: brasileiros gastam 150 vezes mais água do que realmente necessitam. Desperdício agravado nas cidades que põem flúor na água. No Brasil, a população chega ao requinte de lavar calçada com flúor. Não é um luxo?”

Os franceses também fazem as contas deles. Sugeriram vender um iceberg à Arábia Saudita. O imenso bloco deixaria o Pólo Norte pesando 100 milhões de toneladas e, dez mil quilômetros depois, arrastado por quatro rebocadores, chegaria à Península Arábica ainda com 80 bilhões de litros de água. Preço dessa água nos supermercados sauditas: US$ 0,60 o litro. Já imaginou? Um bloco de gelo avaliado em US$ 48 bilhões (um terço da nossa dívida externa) singrando os sete mares, em direção às águas do Mar Vermelho.

É mais barato chamar Moisés de novo, para abrir caminho entre aquelas águas, mas desta vez, levando o povo árabe em direção à terra, digo, à água prometida. Os israelenses ficariam orgulhosos, os árabes eternamente agradecidos e o mundo, finalmente, em paz.

Pregado no poste: “Núcleo duro do poder é carnegão”

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