Judas ou…

Hoje já foi dia de malhar o Judas na Vila Industrial e no Mercadão. E como era ‘bão’!

Parecia que a cidade inteira baixava lá, para eliminar seus desafetos. Políticos eram os personagens favoritos dos bonecos amarrados nos postes da Álvares Machado, ali na frente do seo Garcia, o rei das molas. Ou das Casas Pernambucanas, da Casa Carvalho de Máquinas (aquela do seo Carvalho, pai da bela Maria do Rosário…), do ponto de ônibus para o Arraial dos Sousas, do Garbeline (‘pai’ dos gandulas do Guarani) e do frigorífico que vendia gelo em lata de bacon, para quem tinha geladeira de caixote de madeira – refrescava três dias.

Era a praça mais democrática da cidade, mais do que o Largo do Rosário, posto que ali só ia povo. Haja poste, para pendurar um Judas dedicado aos namorados safados, que seria destruído (às vezes, incendiado!) por moçoilas traídas ou trocadas – nem sempre as mais bonitas ou as menos recatadas, coitadas. Havia Judas vestido de mulher (você já viu isso?) – era o que personificava as sogras, sempre velhas, dentuças, descabeladas, de bigode. Também Judas anônimos, que cada um malhava imaginando o vizinho chato, o patrão, o professor mais rigoroso, o chefe, o cobrador (prestamista, se dizia), o cunhado, o goleador do time adversário. E até o primeiro da classe, tão invejado quanto odiado, chamado de ‘crente’ pelos menos estudiosos – hoje, conhecidos por “Caxias”, CDF (se seu filho não souber, explique essa sigla pra ele, porque neste jornal não se escreve nem se fala palavrão…).

Estava eu pensando no Judas de antanho, quando me chegaram os jornais de quinta a domingo da semana que passou. Correio de cara nova, mais bonita. No alto da página de domingo, dois bonecos: o do Luís Fernando Veríssimo, perfeito, simpático, discreto que só ele. O da direita demorou para “cair a ficha”: era eu. Sempre fui feio, mas o jeito que o André me pintou vai servir de inspiração para muito moleque fazer os Judas que serão malhados hoje pela  cidade. Moacyr Castro, quem diria, virou Judas na terra em que nasceu… Judas ou espantalho?

Pregado no poste: “Já malhou um político hoje?”

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