Ilusão

Amigos, nestes tempos em que as páginas que trazem as crônicas de

sábado, domingo e terça podem ficar fora da edição, elas serão temporariamente publicadas no Correio Popular que está na Internet. 

Como vários leitores só podem ler o nosso jornal impresso, mando o texto pela rede mundial.

Obrigado,

Moacyr Castro

Suas leituras eram de gibis japoneses, quando em vez algum brasileiro. Seus filmes, desenhos animados japoneses, quando em vez algum americano. Seus sonhos, roupas de grife; sua formação, a clássica “P-5”: panfleto, palestra, palanque, passeata e protesto. Já não sabia nada do que se passava à sua volta – aplaudia o que mandavam, repetia o que tanto ouvia. Não conseguia ir além do secundário, por isso se habituara aos sofás rotos da Uces, embora sonhasse com a Une. Desejo impossível, mesmo com o nível dos vestibulares pior do que o dos políticos matreiros que com ele começaram nessa vida de não trabalhar, mas xingar e culpar os outros pela falta de oportunidades que não sabem criar.

Numa noite, ouviu a palavra “Macunaíma” numa conversa na porta do Centro de Ciências Letras e Artes. Gostou da sonoridade, Mas ao descobrir que precisava ler para saber, desistiu e tentou uma saída melhor. A partir daquela noite, teria outro nome, seria outra pessoa. Nome capaz de impressionar, a um tempo, patricinhas e marafonas. Sua cabeça soltou o que de melhor poderia se esperar dela: “Eder Boy”. Repetiu até gostar. Para si mesmo, completava: “… um boy sem caráter”.

Isso! Eder Boy. Como um galã de cortiço ou gueixa da terceira idade. Sua mãe, louraça belzebu, passaria facilmente por paquita do asilo ou Xuxa do Baile da Sadaude. Em São Paulo, facilmente ele seria o “Play Boy da Barra Funda” e aqui, o “Pancudo do Furazóio”. Jamais seria ‘coisa’ melhor enquanto andasse com aquela pastinha verde ensebada, enganando professores, colegas e diretores da escola pública à noite, e a mãe, durante o dia, fingindo a desculpa de procurar emprego. Tudo mentira: não estudava nem trabalhava. Nunca serviu para nada, só para engrossar passeatas, manifestações, carregar faixas e gritar palavras de ordem, ordem que ele sempre recebia. Nem para dar uma ordem servia.

Quando se enroscou na “Cinderela do Mercadão”, filha do Chico Cuoco do Camões, pregou nela novo nome para nova pessoa: Ever Glaze. Estão por aí, mais iguais do que nunca, sanguessugas. Ela não lava um copo, ele nem uma xícara. Calcinha, cueca e sutiã, nem pense.

Pregado no poste: “Ainda abrem uma ONG e convidam o Lulla pra falar”

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