X Cana

Se já tivesse acontecido, seria melhor. A façanha ‘se deu-se’ numa churrascaria em Campinas, com todas as fórmulas químicas, físicas, biológicas e matemáticas desenvolvidas numa pilha de guardanapos, infelizmente não guardados para a história.

Foi assim: devidamente convidado, o fundador do Programa Nacional do Álcool, homem daqueles que não existem mais, capazes de fazer pela pátria o que só Deus faz pelo mundo, foi à Unicamp conhecer como se faz álcool de cana virar diamante. De um lado, o cientista Victor Baranauskas e sua obra; do outro, Cícero Junqueira Franco, e a dele. Nas mãos deles, a pedra preciosa, ainda sem lapidar, à qual um concurso do “Correio Popular” dera o nome de ‘Diana’. No dia em que o francês “Le Monde” deu a notícia em sua primeira página, um pouco antes de ‘morrer’ de inveja, o reitor da Universidade de Paris queria saber o que fazer para ser capa daquela bíblia da imprensa.

Depois do diamante, Victor e Cícero foram almoçar e trocar experiências dignas de pioneiros numa terra de pioneiros. Éramos só três (eu, de bisbilhoteiro privilegiado). Não sei por que, mas o garçom colocou outros pratos à mesa. E alertou: “Não está vendo os outros? Cícero, Victor, Santos Dumont, Alcides Carvalho, Hércules Florence, Lattes, Paes de Camargo, o padre Landell…”

Conversa vai, espeto vem, vejam aonde a conversa foi parar:

— Dr. Cícero, bagaço de cana vira papel?

— Dos melhores.

— Pois é. O McDonalds diz que vai mudar a cara da caixinha do hambúrguer, mas continuará derrubando árvores para fazer as embalagens, enquanto o Japão tenta um jeito de parar com isso.

— Ué! É só fazer a caixa com papel de bagaço de cana. E digo mais: nós usamos bagaço para fazer ração pra boi, não custa pedir a caixinha de volta para o boi comer…

— Peraí, dr. Cícero! Quer dizer: o boi come a caixa; engorda; e a gente come o hambúrguer, enquanto ele come a caixa de novo!!??

— É mais ou menos isso, tudo em forma de ração. Vamos fazer as contas, porque acho que descobrimos a autosustentabilidade do boi e uma defesa do meio ambiente.

Pensando bem, esse hambúrguer fica mais gostoso e saudável e com direito a um copo de garapa gelada, em vez de refrigerante.

Pregado no poste: “Se o governo descobre, inventa a ‘bagaçobras’ e a vaca vai pro brejo.”

19/04/2009

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