Homos… o quê?

Faltou escrever na crônica de amanhã que o brasileiro é o único povo com capacidade para imitar (e adotar) hábitos e manias de outros povos. Palavra do historiador do Brasil Sérgio Buarque de Hollanda. “É peculiaridade nacional macaquear o estrangeiro”, reforça Antônio Cândido, outro notável. É verdade. Não nos chamam de “macaquitos” ali embaixo, à toa, não.

Como não foi possível escapar, começamos a imitar os portugueses; depois, espanhóis, holandeses, portugueses de novo, ingleses, franceses, italianos, alemães, japoneses — mistura deliciosa, ao ponto, até que ‘americanalharam’ o molho, como diziam mais dois notáveis: Winston Churchill e Vicente Leporace.

Maior prova dessa macaquice está nos grandes centros de compra, digo, nos shopping centers. Deudu, veiví, deodó que você conheça algum lugar desses que não tenha ao menos uma loja, lanchonete ou restaurante com nome estrangeiro – em inglês, de preferência. Até o recinto das privadas chamam de W.C.. Nas vitrines, desconto virou ‘off’ e venda, ‘sale’ ou coisa assim.

Saudade do Giovanetti, quando coxinha, pastel, empada, croquete e pão com pernil eram Marta Rocha, envelope, engrenagem, rolha e casquinha. Agora, queijo é X; ovo, egg; toucinho, bacon; bife de veia, hambúrguer; batata assada, baked potato…

Sem falar em hot dog, mil shake, waffel (é assim?), bananna split (bananna com dois ‘enes’ só macaco brasileiro escreve, porque não existe), marshmellow, ice, coffee… “É um cool para conferir”, como diz nosso notável J. Toledo. (Não me entenda mal, “cool”, na língua dos patrões, pode ser “compostura”. E é preciso tê-la).

Nossa notável repórter Adriana Menezes conta que já pesquisaram: uma hora e 13 minutos é o tempo médio gasto pelo consumidor cada vez que vai ao shopping. A última vez em que fiquei tanto tempo num shopping foi por causa de um salmão estragado, almoçado num “fish não sei o quê”. E cada freguês compra R$ 95,00 cada vez que vai. Gastei R$ 10,00 só em remédio para segurar aquela gastura.

Ar-condicionado de shopping me dá medo. Será que limpam diretinho, como manda aquele figurino, o “Burda”? Não podia se chamar “Nárdega”? Em São Paulo, Rose Saldiva, notável pesquisadora do comportamento, identificou o “Homosshoping”, aquele tipo que passa dia e noite vagando pelos “mall” – shopping tem “mall”, mas eu não sei o que é isso, tá bem?

Pregado no poste: “Lulla é um FHC paraguaio?”

 

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