Galinhagem

Como se trata do Duda Mendonça, virou coitadinho. Fosse marqueteiro de outra facção ideológica, estaria pregado na cruz. Como no Brasil até ideologia é falsa, precisa de marqueteiro para enganar os trouxas. Mas não é que o Duda e um vereador petista, imitador não sei se do Milionário ou do Zé Rico, foram em cana pela perpetração de três crimes? Claro, em horas estavam na rua. Nem deu tempo de a ministra do Meio Ambiente reclamar de novo, como esposa traída. Ela defende uma política, o governo adota outra, mas ela finge que é contra, apóia o governo e nós duvidamos dos dois.
Dona Isalene, vá lendo, digo, ouvindo, que a senhora tem a ver com essa história. A turma do galinheiro anda perseguido a turma do seu partido. Começa que o 13 é galo no jogo-debicho. No no passado, vândalos jogaram uma galinha na sua companheira Marta. Dias antes, atiraram ovos no Lula e no Hélio Bicudo – justo no meu velho companheiro de ‘Estadão’ Hélio Bicudo, gente fina até não poder mais.
Há um antecessor seu na Prefeitura de Campinas, cuja familia era dada a apostar nas rinhas e a criar galos de briga, sabia? É o que contam. Eu não era nascido. O pai de um jóquei famoso aí do hipódromo do Bonfim também criava. Os galos, para não dar na vista nem nos ouvidos, eram criados em Minas, nessa região próxima a Eleutério, Jacutinga e Ouro Fino, divisa, em volta do Morro do Gravi, onde uma tia minha, paulista que só vendo, matou canalhas getulistas na Revolução de 32.
Criação e treinamento, uma sacanagem. Hoje, usam anabolizantes, mas naquele tempo, passavam o dia jogando o galo das alturas para ele cair no chão e criar músculos. Antes, o bico era lixado; agora, usam proteção de aço inox. Quando bico cai, implantam prótese.
Joga-se em briga de galo até na Internet. Pela Internet, vendem ovos da mulher do galo bom de briga até por R$ 300,00. Há leilão de galo: alguns chegam a R$ 20 mil. O Brasil exporta galo de briga, “facim, facim…” Se der um bom plantão, em Viracopos mesmo, vão ver na bagagem de mão de executivos dos terreiros sacolão de couro “furadim, furadim”, com três, quatro lá dentro – todos dopados, para não cantar em hora errada. O Renato Otranto cansou de ver.
Cabral trouxe galos e galinhas nas caravelas e os índios correram de medo. Já imaginou a cena?
E a briga de galo é proibida há 80 anos. No governo do Estado, Jânio Quadros reforçou a lei e foi um alvoroço. Havia uma rinha aí na Rua Falcão Filho, perto do colégio Culto à Ciência. Outra, vizinha da igreja de São Benedito. Ao lado, havia um bar com sinuca nos fundos. O dono deixava a molecada jogar, desde que entrasse com livros.         Estranhou? Quando a polícia baixava, ele dava voltas na manivela da cixa registradora, o barulho do sininho alertava e os meninos agarravam a ler, como se fazesem lição de casa… Cada uma! Brasileiro é “quatro paus” para driblar a lei, desde criança. Não vê o Duda…
Agora, dona Isalene, a senhora sabe que ontem ligou-me um senhor César, 87 anos, gaiato toda vida, gente boa como ele só. Com risinho maroto, contou que lá pelos anos 30 (nem eu nem a senhora éramos nascidos), havia uma rinha de galo concorridíssima em Campinas. Sabe onde, ardorosa alcaida? Na Rua Uruguaiana: “Bem no lugar onde fica o prédio em que a nossa ‘arcaidessa’ morou, uai!”.
Pregado no poste: “Mentira tem pernas curtas: dura do fim do horário político até a posse”

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