Foi ele

Que cenário lhe vem à lembrança quando eu digo cachorro quente, marshmellow, hambúrguer, waffle, banana split, Coca-cola? A lanchonete das Lojas Americanas, claro! Bem ao lado da discoteca, da Cida, Vanda, Yvone, Diva, Luzia Pieroni Pereira, Cidinha da Vigna, Regininha. Das músicas de Emilinha, Nat King Cole, Maysa (ainda Matarazzo), Johnny Ray, Neil Sedaka… Depois, Elis, Jair, a Jovem Guarda. Ali foi vendido o primeiro Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, para mudar o mundo.

Todos aqueles acepipes (vixe!) chegaram a Campinas pelas mãos de um homem só: Roland Blinstrup, mister Blitz para os amigos. Cabeça privilegiada. Nascido em Chicago, de uma família de fornecedores de kits para piquenique, conheceu Al Capone.

Formou-se na primeira turma do curso de hotelaria da Universidade de Cornell e, assim, foi trabalhar numa elegante casa de chá em Washington, onde a primeira-dama Eleanor Roosevelt recebia mulheres (melhor dizer esposas) de chefes de governo e de diplomatas. Por sugestão dela, o marido presidente nomeou Blitz chefe da cozinha das obras da segunda eclusa do Canal do Panamá. Como servir 30 mil refeições por dia a um exército de operários? Blitz inventou a cozinha industrial e, no Brasil, o fast food e a lanchonete — o quartel-general dos jovens.

Um dos segredos de os jovens fazerem das Lojas Americanas seu ponto de encontro em Campinas era o lanche rápido, saboroso, a Coca-cola e a localização estratégica de sua lanchonete, justamente ao lado da discoteca. O outro segredo: o ponto do bonde 9, Botafogo, bem na porta da loja. Parecia um pacote cheio de alunas e alunos que vinham do Colégio Culto à Ciência, para a happy hour mais inocente, regada a refrigerantes, sanduíches e sorvetes, ao som das primeiras baladas.

Foi a ousadia de Blitz que desmascarou uma fraude em Campinas. As Lojas Americanas faziam seu próprio sorvete. E as máquinas, todas importadas, sempre a enguiçar. Blitz descobriu: “O leite desta cidade vem misturado com água, por isso a sorveteira enferruja!”. Uma vergonha. Para se livrar do prejuízo, ele foi aos Estados Unidos e trouxe a Kibon para Campinas. Vai um picolé, aí?

Pregado no poste: “Os músicos da orquestra sararam?”

 

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