Filhos do apagão

É isso mesmo que você está pensando.

Mas antes de eu revelar seu pensamento, pense que o Brasil, quem diria, está virando Cuba. Tem até apagão, tão comum naquele presídio do Caribe. Se continuar assim, quem pensar diferente do governo vai preso; se fizer greve, também; quem estiver com Aids será confinado; a imprensa terá censura; descontentes fugirão em balsas; traficantes de drogas serão fuzilados (defensores dos direitos humanos, idem) e as prostitutas, protegidas e estimuladas, como fonte de divisas. Na ilha do Pinochet barbudo, o plágio da ditadura militar que massacrou o Brasil ainda não acabou. Como eles “adoram” exportar a “revolução”, agora estão vendendo apagão. E o Brasil comprou, para ver como é a escuridão daquele regime.

Agora, vamos ao que você está pensando. Há uns dez, quinze anos, aconteceu o mesmo em Nova York. Lá, eles chamam de “blecaute”, posto que jamais comprariam um artigo de segunda, ainda mais da ilha. Também, um “blecaute” deve ser muito mais sofisticado do que um “apagão” de origem subdesenvolvida, ó raios de Bauru!

Curioso é que quando aconteceu por lá, as sumidades da Cesp, CPFL, Furnas, Itaipu, Cemig, Light. Eletropaulo e outras luzes estatais, apressaram-se em bater no peito e dizer com orgulho que, no Brasil, um blecaute seria impossível. Até esnobavam aqueles técnicos atrasados de Nova York: “Nosso sistema é interdependente, não haverá efeito dominó na rede de abastecimento de eletricidade no Brasil.” Tentei falar com alguns desses luminares, para cobrar a mentira de antanho. Mas estão todos aposentados, vivendo muito bem com o belo salário de “estatificados” que o povo, no escuro, lhes paga.

O cientista Paulo Grecco, consultor da FAO, figura humana maravilhosa, pensa o mesmo que você. Veja só o bilhete que ele me mandou, mas antes de guardá-lo, mostro para todo mundo:

“Quem viver, verá. Guarde esta data: 11 de dezembro de 1999. Ou seja, nove luas depois de 11 de março de 1999, quando grande parte do Brasil apagou. Logicamente, aquela parte que está sempre acesa, pois que, em Brasília, dorme-se sempre e eternamente em berço esplêndido. E apagou justamente na hora dos humores e dos amores – no limiar da ascensão da libido. Dias depois do erótico 11 de março, o filósofo de plantão no restaurante do clube registrou as seguintes verdades indescartáveis:

Eram mais de dez da noite.

Muitos estavam prontos para um dos mais belos atos do homem (e da mulher): amar.

Ninguém esperava pelo ‘apagón’.

Todos se apressaram em cumprir um doce desejo ou simplesmente um ato reprodutivo. Tanto, que muitos foram prazerosamente escrever para a cegonha.

Os de espírito desprevenido não encontraram (ou nem procuraram) o envelope. O ‘apagón’ atrapalhou.

Com o envelope, poderia ter sido possível jogar fora a carta manda para a cegonha.

No auspicioso dia 11 de dezembro de 1999, um sábado, estaremos de plantão nas portas das maternidades, claro, todas superlotadas, cumprimentando os novos, distraídos e felizes pais, que se esqueceram de comprar o envelope antes do ‘apagón’. Haja fraldas!”

Mas se no 11 de dezembro acontecer outro “apagón”, dirão que são crianças concebidas e nascidas no escuro.

Pregado no poste: “Você já escolheu nome?”

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