Escreveu, não leu…

Só não vale fazer como Tom Jobim e Newton Mendonça, que pegaram a primeira parte de “Night and Day”, de Cole Porter, sapecaram a letra de “Samba de uma nota só” e fizeram enorme sucesso. Aliás, “o vulto musical da Pátria” dizia que no Brasil o sucesso incomoda. Enquanto isso, Judy Garland arrasava corações com a música de Porter. (Você já viu a Judy em cena? Dá vontade de perguntar a certas ‘atrizes’: “Você pretendia ser aprendiz do que, mesmo?”).

Especialistas em marcas, patentes, slogans, propriedade intelectual, enfim, garantem que “não basta ter uma boa idéia, é preciso ser dono dela”. Falo em defesa de um garoto criativo, que aos 13 anos fez um slogan para uma doceria imaginária (trabalho de escola), melhor do que o que eu li recentemente para um restaurante de frutos do mar: “Dos mares, o melhor”. Ótimo! Slogan vale a vida de um produto. Quer ver? Fazendo sua vida mais doce; A primeira impressão é a que fica; Se é Bayer é bom; Não esqueça da minha Caloi; Quem pede um, pede bis; Tem 1001 utilidades; Não tem comparação; Não é nenhuma Brastemp; Um raro prazer;  Abuse, use.

Outros apelos são bem conhecidos: As fitas não são virgens, mas, também, hoje em dia quem é?;  Há três bilhões de mulheres no mundo. Só oito são top models; Nenhuma mulher quer um homem bom de pia; Não servimos almoço. Levamos o dia inteiro para preparar o seu jantar; Se você é uma pessoa sensível, vai gostar de saber que Pinho Sol mata os germes sem dor nem sofrimento; Rico em vitaminas e milionário em proteínas; Quando uma menina vira mulher, os homens viram meninos; Para alguns, sexo antes do casamento é imoral. E o que você acha que é sexo antes do jardim-de-infância?; Não temos música ao vivo. Sorte sua; Melhoral, Melhoral, é melhor e não faz mal; É impossível comer um só; Dê férias para seus pés; Se a marca é Cica, bons produtos indica; Emoção pra valer; Deu duro, tome um Dreher; Põe na Cônsul; Vale por um bifinho; Tomou Doril, a dor sumiu; Alguma coisa a gente tem em comum; Uma grande cerveja; O caldo nobre da galinha azul; Energia que dá gosto; Eu sou você amanhã; Sempre cabe mais um quando se usa Rexona; Abra a boca… É Royal!; Não soltam as tiras; Não perde o vinco; Terrível contra os insetos; Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?; Brim Coringa não encolhe.

“É proibido proibir” não é do Caetano, mas dos estudantes da rebelião de maio de 68, em Paris. E o slogan que o menino Eduardo Rodrigues criou para sua imaginária doceria é “Deus escreve certo por minhas tortas”.

Pregado no poste: “Ela rebola para aplicar o dinheiro no banco traseiro”

E-mail: jequiti@directnet.com,br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *