A mais perfeita tradução

Tudo o que eu me lembro da comemoração dos 400 anos da cidade de São Paulo foi de um desfile de estudantes pela Treze de Maio, sob uma chuva de milhares de folhinhas de alumínio, prateadas, triangulares, com o brasão da Capital. Brilhavam ao sol daquela tarde de verão de Campinas, enquanto a banda do 8º BC inundava o ar com a marcha “Paris Belfort”, linda, que marcou a guerra dos paulistas contra a canalha getulista, em 1932. Estava na sacada das Lojas Americanas e não entendia absolutamente nada, mas aquela música me enche de orgulho até hoje.

Deixei passar uma semana, de propósito. Quase 70% dos paulistanos são de outras terras e cada um comemora o aniversário da cidade no dia em que lá chegou e foi abraçado por ela, como eu, num 1º de fevereiro.

Campinas acima das outras, mas sempre gostei de São Paulo, mesmo de suas enchentes indomáveis, que me inundaram até a alma por centenas de chuvaradas. Aquela terra de números gigantes e mágicos é uma dádiva de três rios – Tietê, Tamanduateí e Pinheiros – ao contrário do Egito, que é só do Nilo, e de mais de 2.500 quilômetros de córregos!!! Não há como domar tanta água. “Consumiria o orçamento inteirinho de 50 anos!”, desabafou certa vez um de seus grandes prefeitos (foram poucos), o bandeirante Olavo Setúbal. Foi dele que ouvi, também, um dos slogans mais verdadeiros desta cidade campeã mundial de slogans, para defini-la por completo: “São Paulo é algumas suíças e muitas Biafras”.

Você ainda se lembra de alguns desses slogans? Vamos lá:

“A locomotiva que transporta o País”, dado pelo deputado federal baiano Neiva Moreira. Ainda bem que reconhece…

“A cidade que mais cresce no mundo”.

“São Paulo, terra da garoa”, que a poluição acabou.

“Paulicéia desvairada”, do Mário de Andrade e seus modernistas de 22.

“São Paulo, que amanhece trabalhando” e “Na reza do paulista, trabalho é o Padre Nosso”, letra da bela música de Billy Blanco, que acorda São Paulo pela rádio de sua gente, a Jovem Pan, obra de outro grande bandeirante, o doutor Paulo Machado de Carvalho.

“Não sou conduzida, conduzo”, no brasão da cidade, obra de um poeta campineiro, ex-aluno do Culto à Ciência, Guilherme de Almeida. Sabia?

“Paulista não esquece”… dos bandidos liberticidas que nos atacaram em 32.

“São Paulo, túmulo do samba”, Vinícius de Moraes.

“São Paulo não pode parar.” O ex-prefeito Figueiredo Ferraz disse que ela precisava parar. Caiu.

“São Paulo, resumo do mundo.” (Alguma dúvida?)

“Ela há de ser a metrópole do Brasil”. É. (Padre Anchieta, seu fundador com Manuel da Nóbrega e Manuel de Paiva.)

Pregado no poste: “E se São Paulo parar?”

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