Ela

O governo impediu nossa conversa, domingo. Falemos hoje, se deixarem. Todo mundo tem mãe, mas estas devem ser as mais homenageadas do Brasil. Primeiro, a do Getúlio Macedo, nascido em Sabino Pessoa, no Espírito Santo. Conhece? Nem eu. Criado descalço em Cachoeiro do Itapemirim, chegou “sem mala, nem cuia ao Rio de Janeiro, em 1940”, como disse ao “Sítio da Maturidade”. Conhece? Vale a pena.

Ouça: “Em 1952, morava em Ramos e vinha de bonde pra cidade, lendo a revista ‘Seleções’. Vi escrito que naquele ano seria festejado no Brasil, pela primeira vez, o Dia das Mães. Falei: ‘Êpa! É comigo mesmo!’ Fiz uma musiquinha em homenagem à minha mãe, ‘Mãezinha Querida’. Jovina de Assis Moreira, foi uma heroína. Criou oito filhos, fazendo e vendendo doces. Eu vendia também, pra pôr dinheiro em casa. Aproveitei a oportunidade e compus a primeira música dedicada ao Dia das Mães — para ela. O sucesso me deu dois mil réis. Fiquei todo arrepiado: o Carlos Galhardo cantando minha música dedicada à minha mãe!”

Sabe a letra?

“Minha mãezinha querida… / Mãezinha do coração. / Te adorarei toda vida, / Com grande devoção… / É tua esta valsinha, / Foste a inspiração. / Canto, querida Mãezinha, / A tua canção… / Alegria… um prazer… / Uma grande emoção… / Neste dia te dizer / com muito amor e afeição. / Oh, minha Mãe, / Minha santa, querida… / És o tesouro que eu tenho na vida… / Eu te ofereço esta linda canção… / Mãezinha do coração!”

Outro sucesso aconteceu com João Dias, campineiro de Aparecidinha, em dupla com a monumental Ângela Maria: “Mamãe”, do Herivelto Martins e David Nasser. Aproveitando o sucesso, a revista ‘Radiolândia’, colocou os dois na capa e inventou um romance entre eles. A praga das fofocas não é de hoje… Cante mais essa:

“Ela é a dona de tudo, / ela é a rainha do lar, / ela vale mais para mim / que o céu, que a terra, que o mar / Ela é a palavra mais linda / que um dia o poeta escreveu, / Ela é o tesouro que o pobre / das mãos do Senhor recebeu. / Mamãe, mamãe, mamãe… / tu és a razão dos meus dias, / tu és feita de amor, de esperança… / Ai, ai, ai, mamãe… / eu cresci e o caminho, perdi, / volto a ti e me sinto criança / Mamãe, mamãe, mamãe… / eu te lembro o chinelo na mão / o avental todo sujo de ovo / Se eu pudesse, eu queria outra vez mamãe / começar tudo, tudo de novo”

Pregado no poste: “Um beijo na sua!”

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