É tudo mentira

Está certo que semana passada, em Tyler, no Texas, a dona de casa Chasity Erbau (sei lá como se ‘pronunceia’) trouxe do supermercado um saco de feijão congelado e ao abri-lo, encontrou uma rã. Congelada, de olhos arregalados para a mulher, mortinha da Silva e Souza Santos (Brrr!!!).

Safadeza, mesmo, circula na internet. É ler para não crer:

“Confirmado o 83º caso de mal de chagas contraído a partir do feijão servido nas refeições dos brasileiros.

Toda a colheita entregue por uma cooperativa está contaminada pelo ‘Tripanosoma cruzi’, oriunda do barbeiro.
A doença se alastrou rápido, pois a cooperativa atende a dezenas de empresas que embalam e distribuem o feijão pelo Norte, Centro-Oeste e Sudeste do País. Alarmante: os lotes não foram tirados de circulação, elevando o número de infectados a cada semana.

Contrairam chagas a partir dos tipos carioquinha, jalo e preto. Mulatinho, roxinho e branco também são suspeitos, porque todos são originários da mesma cooperativa.”

Sabe por que esse trágico boato se espalhou? Para dar maior credibilidade, vem assinado por uma cientista (que existe), de uma universidade (que existe), mas o texto foi todo inventado. O computador da casa dela emperrou e ela precisou transmitir um material da máquina da faculdade. (Ai, ai, ai, ai…) Esqueceu a Internet aberta. Alguém foi lá e enfiou essas barbaridades, usando o nome da moça e espalhando o terror.

Como até o telefone dela foi mantido no boato, entrei em contato e falei com uma pessoa séria, abalada com a brincadeira de um bandido. Ela me pediu para ajudá-la, divulgando o texto e a fraude a fim de tranquilizar quem comeu desse feijão e entrou em pânico. Há duas dicas para quem ler descartar essa bobagem:

  1. Agrônomas e agrônomos, de verdade, tem amor à terra e aos seus produtos. São incapazes de cometer essa atrocidade. Eu os conheço bem.
  2. É impossível comer o protozoário com o feijão, pois ao ser cozido na panela de pressão, ele morre. Ao contrário do que aconteceu com a garapa, em Santa Catarina, e com o açaí, no Pará, que infectaram algumas pessoas, porque são servidos crus.

Pregado no poste: “Isso não é milho cozido, é palha assada!”

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