Drama leão

— Você é filho do seu avô!!!

Quando descobriu que era enteado do marido de sua mãe, que ele sempre chamou de pai, o rapagão, que vivia a desmunhecar, ficou extático e estático, mãos espalmadas, uma para fora, a outra contra o peito. Só as pálpebras se agitavam, mais do que as da Marta depois do botox, mas antes do franco-argentino, posto que não há argentino franco (duvido). Custou para ele entender que, ainda, não se dera o pior. Tão apavorado, pensou em incesto, ou seja, que fosse filho do avô materno. Tenha dó, nada disso!

Só esse gancho serviria para sustentar uma trama sem precedentes no ar. Mas a mãe do rapagão tem uma rival. É Mercedes, espanhola casada com o irmão do filho do seu sogro (entendeu?). O marido de Mercedes durou pouco: flagrou-a aos beijos com o próprio irmão numa taberna. Beijos com sofreguidão suficiente para causar-lhe a parada cardiorrespiratória que o matou.

Terrível: o filho do avô é acusado pela irmã mais nova de matar o namorado dela, por ciúme. A irmã mais nova tenta esquecer o namorado morto – garoto de programa, como se soube –, assediando um advogado sem braços. A irmã mais velha quer abrir um escritório com um advogado negro, mas a família e o pai do rapaz, motorista da casa, são contra. “Onde já se viu casar-se com um negro?”, dizem os pais dela. “Onde já se viu casar-se com uma branca?”, diz o pai dele.

Quando vivia em Angola, no tempo das colônias ultramarinas, o avô garanhão também teve dois filhos com a dona de um bordel de luxo. Agora, a cafetina e seus bastardos estão em Lisboa a atazanar a família inteira do que desmunheca, atrás da fortuna. Um deles, meio-irmão do marido da que teve um filho do avô, todos pensam que morreu, porque foi lançado no fosso do elevador pela mulher. Mas reaparece, escondido numa clínica.

Dramalhão mexicano? Mundo cão? Nada! Novela portuguesa passada no canal Sic Internacional. As cenas entre casais gays de ambos os sexos estão à beira do explícito. A próxima é capaz de passar até sexo escrito.

Por muito menos, Trini Lopez foi censurado até nos Estados Unidos, com a letra de “Vergonha e escândalo na família”. Lembra? Tudo porque um garoto namorou uma menina que era sua irmã, mas a mãe não sabia; tentou namorar a tia, mas a avó não sabia e ficou sabendo pela mãe que o pai não era seu pai.

A trama da antecessora é mais sórdida e fica para outro dia: retiram fígado de seqüestrados ainda vivos e batem no liquidificador para fazer o “sangue universal”

Pregado no poste: “Se existe primeira-dama, quem é a segunda?”

 

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