Desculpe pela nossa falha-3

Sabe o Guglielmo Marconi, aquele físico italiano, inventor do rádio? É, esse mesmo. O mestre morreu em 1900 e bolinha, mas no Brasil ele continua vivo. Mais: deputado cassado. Marconi ressuscitou quarta-feira e até apareceu numa notícia de um jornal de São Paulo. Está lá: “Marconi foi deputado federal pelo extinto MDB, mas teve seus direitos políticos cassados em 68, após a publicação do AI-5”. (Pensei que ele tivesse voltado para acertar as contas com o padre Landell, gaúcho de Campinas, o verdadeiro inventor da radiodifusão. Certo d. Célia Farjallat?)

Foi uma distração incrível do repórter. Ele queria dizer que o ex-deputado federal Dorival de Abreu, cassado em 1968 e dono da também cassada Rádio Marconi, de São Paulo, é o candidato à Presidência mais rico entre os 14 que disputam a “boquinha” do Planalto. Mais rico graças à indenização de três milhões e pedrada que já recebeu pela perda da rádio. No meio da notícia, ele trocou o Dorival pelo nome da rádio e assustou o leitor. Acontece.

Uma distração e… pronto! Sai cada uma! Uma vez, esse mesmo jornal disse numa reportagem que Jesus Cristo morreu enforcado. Outro, também de São Paulo, tinha a notícia de uma acidente feio na Via Dutra, mas não tinha as fotos da tragédia. O editor nem se mancou. Pôs a fotografia de um busto (!) do ex-presidente e tascou na legenda: “Na foto, o ex-presidente Dutra, em cuja rodovia do mesmo nome aconteceu o terrível acidente”.

E quando a epidemia de cólera ameaçou o Brasil? A reportagem narrava que a doença veio da Ásia, entrou na América do Sul pelo Peru e alcançou a Amazônia, até atingir o Nordeste. Fizeram um mapa com o caminho da cólera e o título: “A rota da raiva”.

Quando aconteceu a epidemia de meningite, em 1974, o então secretário da Saúde de São Paulo, Walter Leser, chamou a imprensa e, durante a entrevista coletiva para anunciar as providências do governo, disse que a meningite se transmite pelo perdigoto. Nenhum repórter teve a humildade de perguntar o que é “perdigoto”. Chegou ao jornal, foi direto ao dicionário e confiou no primeiro sinônimo: “Filhote da perdiz”. No dia seguinte, uma infeliz perdiz e sua ninhada inocente apareciam na primeira página como os grandes vilões.

Um repórter avisou sua editora: “Olha, dia tal vão fazer uma exposição com fotos feitas pelo Hércules Florence; acho que dá uma boa reportagem.” Ela ordenou: “Deixe o telefone desse Hércules aí, para a gente marcar uma entrevista com ele”. Se bobear, alguém ainda tenta entrevistar o Pedro Álvares Cabral sobre os 500 anos do descobrimento do Brasil. “Veja com ele se foi de propósito ou sem querer; assim, acaba a dúvida de todos os professores de História!”.

Já saiu fotografia da “Paixão Nacional” em reportagem sobre a Antártida; de galinheiro ilustrando a Granja do Torto; de gente com febre em notícia sobre a FEB e até de um pé de soja de ponta-cabeça, ocupando toda a capa de um suplemento agrícola (mea culpa…). Sabe lá o que é trocar o resultado de uma eleição para a presidência do Jóquei Clube de São Paulo? Quase viro “sócio-atleta!” E chucro!

A melhor desta Copa quase aconteceu. Foi “pega pelo rabo”, como se diz nas redações. Era a legenda da foto: “Taffarel desvia chute de Cocu: cheiro de penta”.

Pregado no poste: “Frustração de bugrino safenado é levar a ‘ponte’ no coração”. (Certo Teresinha Ferrão?)

 

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