De verdade

Você conhece o soldado desconhecido? No mundo, há monumentos a esses que morreram pela Pátria, jamais encontrados por familiares ou resgatados por companheiros de tropa. Nada se sabe sobre as façanhas de um soldado desconhecido. Em compensação, há obras de arte de autores desconhecidos – ironia — conhecidas até hoje. Na música popular, duas me vêm de repente: “Meu limão, meu limoeiro”, dizem que é do folclore mexicano, mas, no Brasil o polêmico Carlos Imperial passou para o nome dele. “Saudades de Matão”, então, há autores que reclamam a propriedade no século vinte, mas ela já era cantada desde o 19, como bem relata o jornalista João Garcia, gerente da EPTV, aqui em Ribeirão Preto, no seu fantástico “Dioguinho, o matador de punhos de renda”. Leste? Não sabes o que é bom…

E o incomparável bailado “Dança das Horas”? Também do século 19, popularizada por Walt Disney, no desenho animado “Fantasia”, virou rock’n’roll no arranjo de Bill Haley. Seria de Amilcare Ponchielli ou do nosso Carlos Gomes?

Na rede mundial, são tantas as peças de autores desconhecidos, que existem 19.400 páginas sobre o assunto. Uma delas, especialíssima, homenageia e faz justiça a essa personagem. É um poema de autoria conhecida (ainda bem): Silvia Schmidt. Diz assim: “Autor ‘Desconhecido’/ teu Nome um dia foi omitido/ e tu és o eternamente roubado,/ mas tua fonte de trabalho será sempre/ inesgotável:/ Que copiem UM e tu escreverá DEZ./ Que copiem DEZ e tu escreverás CEM./ Que copiem CEM e tu escreverás MIL. Que copiem MIL e tu atingirás o número infinito.”

Tudo isso, porque recebi um poema muito interessante dedicado à mulher. Veio da Beth Corbalan, também é de autoria desconhecida. As feministas vão adorar. Concordo:

“No princípio eu era a Eva/ Nascida para a felicidade de Adão/ E meu paraíso tornou-se trevas/ Porque ousei libertação./ Mais tarde fui Maria/ Meu pecado redimiria/ Dando à luz aquele que traria a salvação/ Mas isso não bastaria/ Para eu encontrar perdão./ Passei a ser Amélia/ A mulher de verdade/

Para a sociedade/ Não tinha a menor vaidade/ Mas sonhava com a igualdade./ Muito tempo depois decidi:/ Não dá mais!/ Quero minha dignidade/ Tenho meus ideais!/ Hoje não sou só esposa ou filha/ Sou pai, mãe, arrimo de família/ Sou camioneira, taxista, piloto de avião/ Policial feminina, operária em construção./ Ao mundo peço licença/ Para atuar onde quiser/ Meu sobrenome é Competência/ O meu nome é Mulher!!!”

Pregado no poste: “O daquela santa também”

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