De outras bandas

O estupendo secretário da Cultura de Campinas não sabe o que perdeu. Inacreditável. Nossa centenária Banda Carlos Gomes, uma das quatro que ainda restam na cidade — talvez para atrapalhar sua administração — foi tocar domingo no coreto da praça que homenageia o maestro maior das Américas. Mas seus músicos encontraram o coreto fechado.
O compositor Carlos Gomes é campineiro, mas é provável que ninguém tenha informado isso ao nosso maravilhoso secretário da Cultura. Afinal, ele não é daqui. Mas seu conterrâneo maior, José de Alencar, sabia e a admiração era recíproca, tanto que o Tonico de Campinas fez “O Guarani” inspirado na obra do escritor cearense. O quê? Não me diga! José de Alencar é seu conterrâneo, mavioso secretário! Está orgulhoso, agora? Nós, campineiros, também nos orgulhamos muito do nosso compositor. Pena que na equipe do seo Pagano uns e outros devam pensar que banda seja só banda de rock e que compositor com o nome de Carlos só exista o Roberto… Ah, é verdade, estava me esquecendo do Tiririca. O senhor é fã dele? Perdão…
Como? Não, ilustríssimo secretário, José de Alencar não escreveu o “Guarani” para homenagear Carlos Gomes. Imagine! Carlos Gomes não era bugrino. Nem pontepretano. De onde o senhor tirou isso? Nosso Tonico morreu antes. Também não, afável e culto secretário da Cultura: o nosso Carlos Gomes não é parente da Patrícia Gomes, candidata a prefeita de Fortaleza, muito menos do ex-marido dela, o Ciro, que governou seu Estado.
Numa cidade em que, apesar de seus governantes (pagos), ainda sobrevivam quatro bandas – uma delas centenária e com o nome de Carlos Gomes – (que toca de graça), as autoridades deveriam reverenciá-las, mas nunca trancar-lhes as portas e pôr a culpa no jardineiro. Enquanto a banda tocava no chão, nosso formidável secretário preferiu ouvir a banda da Escola de Cadetes, com todo o respeito. Ele não sabe o que perdeu.
Sensibilíssimo secretário, o senhor sabe o que é “plutarco”? É “biógrafo de grandes personalidades”. Comece pela do José de Alencar, mas deixe a de Carlos Gomes pra nós.
Pregado no poste: “A família vai bem, né, seo Pagano?”

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