Solo de esperança

“… e este não é um caso á toa; não sei se isto ocorre todos os dias, mas foi muito forte, e então eu resolvi te contar:
Domingo à noite, quando eu chegava em casa, lá pelas 19 horas, as ruas estavam vazias (aliás Campinas, ou meu bairro, parece ‘Cidade Nua’, lembra desse filme?). Cruzei com um senhor de bicicleta na Rua Álvaro Muller, e me lembro de acelerar para entrar rápido na garagem. Estacionei e quando comecei a descarregar as compras, ouvi “Carinhoso”, e pensei estar sonhando. Corri para a portaria do prédio e percebi que não estava sonhando.
Aquele senhor estava na esquina da Rua Sacramento com a minha rua, tocando clarinete, e aquela música era tão linda, pois trazia uma mensagem de esperança, querendo nos chamar à razão. Aliás, não foi um chamamento, aquilo foi um grito na minha alma, ecoando pelo corpo todo, nos dizendo que Campinas tem jeito.
Os prédios em volta acordaram, todos saíram nas varandas e começaram a gritar pedindo bis, e, aplaudido a cada pausa, ele tocou acho que três músicas, e finalizou com um ‘Parabéns’.
Não dava para ver ninguém, pois as luzes estavam apagadas, mas eu sabia que todos estavam ali e emocionados como eu. Foi um momento breve, minutos de esperança, me levou ás lágrimas, e fez renascer a esperança em meu coração; e tenho certeza de que para todos nós que o ouvíamos foi o encerramento de um final de semana com chave de ouro. Que alma, que coragem, que desprendimento! Isso sim é caridade!”
Esta bela mensagem, de quem tem na alma a alma das Campinas, é da sensível Maria da Graça, do Cheda Saad, para o Geraldo Trinca, que me mandou. Coincidência muito grande. No mesmo dia, o Carlos Nascimento mostrou uma reportagem no jornal “Hoje” com esse anjo do clarinete, um pedreiro humilde da nossa terra, chamado José Vicente Monteiro. Assisti àquela reportagem, que emocionou o Carlos e a Carla Vilhena também, ao lado de um amigo que não conhece Campinas. Senti que ele estava arrepiado com a magia e a generosidade do anjo do clarinete. Depois de muito tempo abatido com o que fazem com nossa cidade, estufei o peito e disse a ele: “Descobriu, agora, por que campineiro é orgulhoso?”
A arte do anjo José Vicente Monteiro não tem preço, porque só tem valor.
Pregado no poste: “Ainda há campineiros em Campinas”

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