D. Sebastião era bugrino?

Celso Caldas, um campineiro ao redor do mundo, ataca de novo. Desta vez, de Goiânia, para onde foi, depois de uma temporada em Cuba e Montevidéu. E o ataque é de saudade do tempo em que o Guarani tinha presidente, diretoria atenta, técnico que era respeitado no cargo e escalava o time. O Guarani tinha, também, time de futebol.

Era uma beleza, lembra?

Veja só a “mensagem do exílio” que o Celso manda para os bugrinos:

“No ano de 1580, o rei de Portugal era o jovem e destemido d. Sebastião que, ao combater os mouros na batalha de Alcácer-Quibir, desapareceu no Norte da África. A partir daquela data, o povo português passou a acreditar que nos períodos de grandes provações, o seu herói voltaria para socorrê-lo.

Na situação atual do Guarani F.C., não seria exagerado chamar, de onde estiverem, os verdadeiros guardiões das tradições bugrinas. Dos gramados, seriam invocados Piolim, Joca, Grita, Oswaldo Neri, Diogo e outros que, além do futebol, desfilavam pelos campos o caráter indelével.

Das salas da diretoria, esperaríamos responder ao nosso chamado, Augusto Nadalutti, Emílio Porto, Mário Campos Bueno, Cármine Campagnone, Jamil Gadia e o sorriso vencedor de Jaime Silva. Nas gerais, pediríamos a presença de Joaquim Margarido, Lorde Beiçola, Tatau, Thomas e outros valentes abnegados. Dos túneis, gostaríamos de voltar a ver Volpe, Zé Penteado, Hermógenes, Carlito Milanês, Hermínio Garbelini e Anselmo Zini. Será que nossas súplicas chegariam a Leonel Martins de Oliveira, Ricardo Chuffi e Michel Abib?

Nas cabines de imprensa clamaríamos pela volta de Alfredo Orlando, Bob Sérgio, Walter Roberto Paradella, José Sidnei, José Célio de Andrade e Renato Otranto (O Renato é bugrino, Celso? Tem boa cabeça; talvez seja.).

Pediríamos a Dimas e Godê um ‘trabalho’ capaz de afastar os ‘vendilhões do Brinco’. Como o clube está doente, teríamos de clamar pela presença do doutor Eduardo Vasconcelos, doutor José Bento, sem abrir mão do inesquecível Dito Braz.

Porém o mais importante é que todos os bugrinos saibam qual é a sua responsabilidade atual e que o tamanho desta grande nação bugrina só será conhecido neste momento de dificuldade.”

Caro Celso, do que jeito que a coisa vai, ando até com medo de falar. Sou bugrino, mas nunca fui daqueles que querem existir às custas da extinção da Ponte Preta. Se o Beto Zini tem culpa, não está sozinho como autor dessa tragédia. Outro dia, um amigo me ligou cobrando uma chacoalhada na “taba” e falou aquilo que eu temia e nunca ousei externar: “O Guarani não agüenta uma crise dessas. Assim, o clube acaba. Se a gente passar por uma situação igual à da Ponte, que quase foi demolida por aquele vereador, a gente não suporta.”.

Emendei: “Nunca estive com a ‘Macaca’, mas respeito a ‘Nega Véia’. Ela tem história, garra e um poder de ressurreição que nem Corinthians e Flamengo têm. Na argamassa das paredes daquele campo não tem água; é só sangue, suor e lágrimas, principalmente lágrimas (sou testemunha). Ela mostrou a vida inteira que consegue sair do buraco, embora tenha vivido a maior parte da vida lá. Mas nós, não sei, não!”.

Pregado no poste: “Dá-lhe Bugre!”

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