D. Odília também vai

Quem não se lembra dela? Uma das primeiras professoras de Educação Física da cidade. Dos tempos em que aula de Educação Física era aula de “ginástica”. Sei não, mas com tanta gente barriguda por aí, acho que naqueles tempos da velha ginástica, os exercícios eram mais eficientes do que nestes de ‘educação física’ e academias de malhação.

Para quem não sabe, d. Odília Forster foi professora de ginástica, mesmo, do tradicionalíssimo Grupo Escolar Municipal “Artur Segurado”, quando essa escola, fundada em 1910, funcionava ali na esquina da Rua Barreto Leme com a Doutor Quirino, perto da Matriz Velha, a “Basílica do Padre Geraldo”, e do prédio central da Puccamp, a “faculdade do monsenhor Salim”.

Ex-alunos desse “grupo” estão organizando uma reunião para os que estudaram lá de 1938 até receber o diploma, em 1941. Não está fácil achar todo mundo. Afinal, para onde a vida levou aqueles meninos e meninas que um dia viveram e estudaram juntos há quase 60 anos? Eu me orgulho de conhecer três deles. O Heitor Beltrão, pioneiro do Expresso Brasileiro (lembra?), o Geraldo Matosinho, cantor da PRC-9 (a Rádio Educadora), e o mestre José Roberto do Amaral Lapa, filho de dona Chiquinha e do seo Euclides, e um dos cérebros da Unicamp.

O Heitor e o Geraldo refrescam a memória daquela meninada. Eles se lembram de um armazém, na frente da escola, onde compravam pão de mel para reforçar a merenda, que a Prefeitura ainda não fornecia, e todos traziam de casa: pão com manteiga e café com leite numa garrafinha de guaraná caçula, fechada com rolha. O uniforme do “Artur Segurado” era calça curta azul-marinho, camisa branca, gravata (!) e bibico azul (igual ao quepe dos recrutas do Exército), com o escudo do grupo. O calçado era livre e a maioria ia de tênis – não como os de hoje, “era uma alpargata melhorada, que dava um chulé miserável”, lembra o Heitor.

Quase todos iam à aula a pé, ou vinham no bonde “4”, do Taquaral, que fazia ponto final ali na Rua Sacramento. Geraldo se lembra do diretor, Américo Blluomini, e da professora do quarto ano, dona Annita Barbosa de Oliveira. Falam das famílias que moravam em “casarões” perto da escola: a dos Valverde, a do dentista Valdemar Vasconcelos e a dos Camargo. Heitor se recorda que na frente da Matriz Velha, já existia o ponto de táxis, de Chevrolet, Ford, Dodge. E da Casa Luz, na Barão de Jaguara, onde hoje está a padaria Orly; da Eletro Rádio, onde trabalhava dona Antonieta Gioso, uma das primeiras lojas a vender radinho de pilha em Campinas, os “Spica” e “Telespark”. A meninada ouvia discos de Orlando Silva e Chico Viola, na Casa Assumpção, depois Ultralar, onde trabalhava seo Lotufo. Claro, o Café Regina já fazia parte daquela paisagem, assim como o posto de gasolina, até hoje na esquina da Dr. Quirino com Benjamim Constant.

“A Orosimbo Maia ainda era uma rua estreita, mas o canal do esgoto daquela ‘valeta’ fedia menos do que agora”, jura Geraldo. Eles se divertiam no Bosque dos Jequitibás; nos dérbis de Ponte e Guarani, no “Pastinho” da Barão Geraldo de Resende e no campo “da” Mojiana; jogando boliche no Concórdia, e nas matinés do Rink, do República e do São Carlos.

Agora, essa boa gente do “Artur Segurado’, que viveu a infância naquela Campinas, quer se rever. Heitor diz que foi fascinante: encontrou-se na rua com a professora Odília e ela garantiu que estará lá. Já pensou que delícia? Quer ir? Ligue para o Heitor (227.0342) ou para o Geraldo (234.7345).

Pregado no poste: “Dona Odília, quantos abdominais eles conseguem fazer?”

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